Locais no Metrô e CPTM já atenderam mais de 4 mil mães; pediatra destaca desafios e desmistifica romantização do aleitamento.
Durante o Agosto Dourado, mês de conscientização sobre a importância da amamentação, os Espaços Maternidade do Metrô e CPTM em São Paulo se destacam como iniciativas que oferecem infraestrutura adequada e privacidade para mães que precisam amamentar ou cuidar de seus bebês durante os deslocamentos pela cidade.
Localizados nas estações Luz (CPTM) e Tatuapé (Metrô), os Espaços Maternidade foram criados para reduzir as barreiras enfrentadas por mulheres que precisam amamentar, ordenhar leite ou trocar fraldas durante seus deslocamentos. Desde março de 2024, as unidades já atenderam 3.314 mães na Luz e 763 no Tatuapé, oferecendo áreas privativas com bancos, pias e trocadores, apoio profissional, como orientações de enfermeiras no Tatuapé) e horários estendidos (das 7h às 19h na Luz e até aos sábados no Tatuapé).
“Garantir um ambiente seguro para a amamentação é fortalecer políticas públicas para as mulheres e a primeira infância”, afirma Valéria Bolsonaro, secretária estadual de Políticas para a Mulher.

Os desafios da amamentação no Brasil
De acordo com o ENANI (Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil), a taxa de aleitamento materno exclusivo no Brasil é de 45,8% entre crianças menores de 6 meses. O Brasil estabeleceu a meta, recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), de que 70% das crianças sejam amamentadas exclusivamente até 2030.
Enquanto os espaços físicos públicos ajudam, especialistas lembram que amamentar ainda é um processo desafiador. A pediatra e especialista em aleitamento Dra. Amanda Ibagy explica: “Muitas mães precisam de apoio técnico para lidar com dores, pegas erradas e mastite. Espaços como esses são importantes, mas precisamos também de mais orientação profissional”.
Apesar dos benefícios amplamente divulgados, a amamentação nem sempre é uma experiência tranquila. Dor, mastite, julgamentos sociais e insegurança são realidades comuns.
“Amamentar é natural, mas não é instintivo ou fácil para todas. Muitas mães se sentem culpadas ao enfrentar dificuldades, como se estivessem falhando”, destaca a especialista.
Entre os principais problemas estão:
- Fissuras e mastite (inflamação dolorosa);
- Cobranças sobre amamentação exclusiva;
- Falta de suporte qualificado para corrigir pegas inadequadas.
A médica reforça que “dor persistente não é normal” e destaca a importância de redes de apoio, desde consultoras de aleitamento até pediatras humanizados. A Dra. Amanda lista dicas para mães:
- Busque orientação ainda na gravidez;
- Observe a pega correta (boca aberta, lábios virados);
- Evite comparações – cada dupla mãe-bebê é única;
- Peça ajuda profissional sem hesitar.
Enquanto os espaços físicos garantem conforto, a sociedade precisa oferecer empatia. “Amamentar é um direito, mas também um aprendizado. E esse processo deve ser respeitado”, conclui a especialista.
Serviço
- Espaço Maternidade – CPTM Luz: Plataforma 5 (Expresso Aeroporto). Seg. a sex., 7h–19h.
- Espaço Maternidade – Metrô Tatuapé: Seg. a sex., 8h–18h; sáb., 9h–14h.











