Vitória surpreendente do governo nas eleições legislativas sustenta governabilidade de Milei e abafa caos político.
O presidente da Argentina, Javier Milei, saiu para comemorar com seus apoiadores que estavam ao seu aguardo na noite desse último domingo (26), em frente ao Hotel Libertador, em Buenos Aires, após resultado eleitoral projetar vitória acachapante do seu partido La Libertad Avanza, emplacando mais de 40% dos votos, saindo vitorioso em 16 das 24 províncias nas eleições legislativas.
Ao som do coro de seus apoiadores que cantarolavam “Liberdade, Liberdade” e frases de efeito que demonstravam apoio ao presidente, Javier Milei ao lado de aliados, afirmou que “Hoje o povo decidiu deixar para trás 100 anos de decadência; hoje começa a construção de uma grande Argentina”.
O partido ultraliberal do presidente argentino, apesar de ainda não deter maioria em ambas as casas (Senado e Câmara), o partido mais do que dobrou seus integrantes nas casas legislativas. Este aumento não garante que todas as metas do governo serão aprovadas sem implicações, entretanto, o receio que o partido e aliados tinham quanto a perca de governabilidade, minando o plano econômico do governo até 2027, quando serão as eleições presidenciais, já antecipando uma possível derrota.
Na Câmara, o partido de Milei absorveu mais 49 cadeiras, somando 93 cadeiras representativas na Casa. Um aumento de mais de 100%. Já no Senado, o aumento foi, proporcionalmente maior, com um aumento de mais de 200% nas cadeiras, passando de 6 para 19.
Oposição atordoada
De acordo com as últimas pesquisas de aprovação realizadas, a margem média de aprovação do governo Milei, foi de 40%, contra pouco mais de 50% de desaprovação, o que acabou se confirmando na eleição desse domingo (26). Entretanto, uma desaprovação às políticas ultraliberais de Milei, não são exatamente aprovação ao peronismo clássico ou ao kirchnerismo atual, movimentos da esquerda argentina. Na realidade, a eleição confirmou uma rejeição imensa a esquerda populista que o eleitorado argentino desenvolveu nos últimos anos.
O partido Fuerza Patria, de vertente peronista, somou 96 cadeiras de 98 que possuía. No Senado, permaneceu com 26 cadeiras em paralelo com as 34 anteriores. O partido perdeu espaço, mas ainda mantém a maior bancada.
A rejeição exacerbada ao peronismo afetou de forma significativa a representatividade de uma oposição forte ao Javier Milei que, apesar de não gozar de imensa aprovação, ainda detém créditos de confiança, algo escasso no campo peronista, após anos de governos de presidentes ligados ao movimento peronista, como Alberto Fernández e Cristina Kirchner.

O presidente Javier Milei também contará com o apoio de 14 deputados do PRO, partido do ex-presidente Mauricio Macri, somando 107 deputados da base do governo. No Senado, 5 senadores do PRO, somando 24 da coligação.
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