Economistas e aliados temem derrota nas eleições deste domingo (26), mas apostam fichas em socorro inédito vindo dos EUA.
Governo dos EUA anuncia ajuda financeira ao Banco Central argentino através de um swap cambial de U$ 20 bilhões às vésperas de eleições legislativas no país sul-americano, entretanto, condiciona ajuda adicional a uma vitória governista nas urnas, além de um alinhamento econômico e político maior à agenda política de Trump.
Na última semana, o Presidente Javier Milei viajou para os EUA, pela 5° vez em 2025, para alinhar e concretizar um acordo, que estava sendo montado em conjunto ao Departamento do Tesouro dos EUA para um auxílio para recuperação do fiscal argentino. O jantar de anúncio do acordo foi promovido por Trump, que proferiu palavras de apoio, além de deixar claro em entrevistas posteriores, o descontentamento pessoal em caso de derrota governista nas urnas.
A situação política na Argentina entrou em estado de desconfiança após sucessivos eventos que culminaram no temor atual que pendura a eleição de meio de mandato. Além do descontentamento financeiro, já percebido por boa parte da população, que vem alegando desde o último ano um aumento no custo de vida, principalmente por cidadãos de baixa renda, cortes nos subsídios ao setor industrial e pecuária – política de austeridade financeira rígida, bandeira do governo Milei -, desidratou setores da economia Argentina no último ano.
Outro evento, e talvez o principal algoz do governo Milei, é o escândalo dos áudios vazados de Diego Spagnuolo, ex-Diretor da Agência Nacional de Deficiência, sugerindo possível caso de corrupção, por parte da irmã do presidente argentino, Karina Milei, onde “primeira-dama” é citada nos áudios como suposta autora de constantes cobranças de propina, a empresários que desejam negociar com o irmão, Javier Milei.
De acordo com pesquisa feita pela AtlasIntel, a desaprovação do governo chega a 55,7%, enquanto 39,9% aprovam. A perspectiva ainda é de melhora, impulsionando sua base no Congresso, entretanto, passará longe de formar maioria, sendo necessário ainda formar coalizão com outros partidos para governar. Entusiastas e aliados do governo, afirmam ser o maior motivo para a estagnação do plano de econômico de Milei, com reprovações de propostas do governo e pressão de setores peronistas ou mais ao centro, reivindicando equilíbrio no intenso corte de gastos e de investimentos públicos, como em universidades e na previdência, causando conflitos políticos em Buenos Aires.
Dinheiro “amigo”.
A eleição distrital de Buenos Aires é, tradicionalmente, um termômetro de popularidade de governos. Eleições estas que antecedem a legislativa, e por se tratar de uma eleição que abrange o maior distrito populacional do país, antecipa a projeção de parte considerável do eleitorado argentino.
A derrota do candidato governista por margem de 13% de diferença para o candidato da oposição ligou o alerta em aliados e no próprio presidente Javier Milei. Um desses aliados é Donald Trump, presidente dos EUA. Aliado conhecido e público de Javier Milei, preocupou-se de imediato com a situação política do país e, acionou o Departamento do Tesouro a fazer um swap financeiro (troca de ativos financeiros que visam estabelecer um equilíbrio momentâneo no câmbio de um país utilizando fluxo de moeda, normalmente, feita em dólar.) de U$20 bilhões, aplicando diretamente no banco central argentino, em troca de pesos argentino.

Donald Trump afirmou, contudo, que o aporte financeiro depende da vitória governista nas eleições legislativas, o que mostra mais uma sinalização do governo Trump sobre sua doutrina adotada neste segundo mandato em manipular a América Latina para o eixo dos EUA, minando governos de esquerda no continente, promovendo candidatos mais alinhados a Washington e apoiando governos vigentes.
Nesta última reunião, o governo Trump exigiu um afastamento político da Argentina para com a China, mencionando presença militar chinesa na Patagônia, entretanto, a situação econômica crítica da Argentina exige cautela na relação com a China, apesar do assumido descontentamento com o regime comunista chinês por parte do libertário Javier Milei. A China representa 15,9% das exportações argentinas de acordo com o último censo, em 2025, sendo assim, o maior parceiro econômico do país. Pequim ultrapassa o Brasil, que hoje representa 14,4% do percentual.
Em meio ao tarifaço global, somado a guerra comercial entre EUA e China, Pequim aumenta diversificação de seu leque de opções comerciais. O movimento representa uma alteração no panorama comercial chinês, com a China sobretaxando em 20% a soja americana, que está sendo cada vez mais substituída pela soja brasileira e, agora, pela soja argentina, o que levanta mais um descontentamento político ao governo Trump que, além da preocupação externa sobre o aumento de influência chinesa na América do Sul, vê uma crescente das cobranças de outro grupo de eleitores fiéis a base MAGA – empresários do setor de soja.
As eleições legislativas argentina, renovarão 127 das 257 cadeiras na Câmara e 24 das 72 no Senado. Somando 37 deputados e apenas 6 senadores, o partido La Libertad Avanza, de Milei, espera aumentar sua base consideravelmente, assim, seguindo com as reformas econômicas de cortes de gastos e impostos do presidente, mote principal de sua campanha.
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