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Ato na Avenida Paulista denuncia assassinatos de jornalistas e cobra medidas internacionais

Mobilização reuniu profissionais de imprensa, ativistas e entidades em protesto contra mortes de comunicadores na Faixa de Gaza

Um protesto em memória de jornalistas mortos em zonas de conflito reuniu profissionais da comunicação, representantes de entidades e movimentos sociais nesta quinta-feira (28), na Avenida Paulista, em São Paulo.

O ato, batizado de “Manifestação contra o assassinato de profissionais da imprensa pelo Estado de Israel”, teve como principal objetivo repudiar a morte de profissionais da impresa palestinos e estrangeiros na Faixa de Gaza, durante os ataques resultantes do conflito entre Israel e o grupo Hamas.

Organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o evento ocorreu em frente ao número 1.374 da principal via da capital paulista. A manifestação contou ainda com apoio da Federação Árabe-Palestina do Brasil (Fepal), do Coletivo Shireen Abu Akleh, da Frente Palestina de São Paulo e do Núcleo Palestina do Partido dos Trabalhadores.

Números alarmantes divulgados pela ONU

De acordo com dados recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), ao menos 242 jornalistas morreram desde o início da escalada do conflito em Gaza, no final de 2023.

Apenas no dia 25 deste mês, cinco profissionais de imprensa foram mortos em um ataque aéreo israelense contra o Hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. Entre as vítimas estava a repórter palestina Mariam Abu Dagga, que colaborava para a agência de notícias Associated Press.

O episódio reforçou críticas de organizações internacionais sobre a falta de garantias para profissionais que atuam em cenários de guerra.

Vozes no ato

Com cartazes e faixas exibindo os nomes e rostos de jornalistas mortos, manifestantes pediram que o governo brasileiro e a comunidade internacional endureçam posições contra Israel. Algumas falas defendiam a suspensão de acordos diplomáticos e comerciais como forma de pressão política.

Amyra El Khalili – Fundadora do Movimentos Mulheres pela Paz na Palestina – (Foto: Internet)

Amyra El Khalili, fundadora do Movimento de Mulheres pela Paz na Palestina, destacou o reconhecimento internacional recebido pelo Sindicato dos Jornalistas Palestinos em 2024. Naquele ano, a entidade foi agraciada com o Prêmio Mundial Unesco-Guillermo Cano de Liberdade de Imprensa, entregue ao presidente do sindicato, Nasser Abu Bakr.

“O prêmio veio exatamente pelo trabalho de denúncia dessas mortes. Participar aqui é reafirmar que a liberdade de imprensa não pode ser silenciada nas trincheiras do conflito”, afirmou Khalili.

Contexto internacional

A cobertura jornalística em Gaza tem sido marcada por fortes restrições. Diversas organizações, como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), já denunciaram violações do direito internacional humanitário e solicitaram investigação independente sobre ataques contra profissionais da imprensa.

O governo israelense nega que tenha como alvo jornalistas, mas admite que as condições de operação em áreas de combate podem levar a “danos colaterais”. Para entidades de defesa da liberdade de imprensa, a justificativa não isenta Israel de responsabilidade.

Repercussão no Brasil

A Fenaj divulgou nota em apoio à manifestação e reiterou que a defesa do jornalismo é essencial para a democracia. Segundo a entidade, a morte de profissionais em zonas de conflito ameaça o direito da sociedade à informação livre e plural.

Nunca, na história, a ação de um Estado desenvolveu uma prática de ataque prioritário contra o exercício do jornalismo, violando as Convenções de Genebra, que protegem a atividade jornalística em locais conflagrados, como faz o Estado de Israel”.

Acompanhe os nomes de todos os jornalistas assassinados na Faixa de Gaza através do site da FIJ: https://www.ifj.org/war-in-gaza

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