Proibição de uso de celulares e necessidade de educação digital são temas de debate em Congresso
A inserção da tecnologia no processo de aprendizado e em ambientes de educação foi debate hoje (26) no 9º Congresso de Jornalismo de Educação, organizado pelo Jeduca. Em uma mesa com o tema “Tecnologia na educação: riscos e oportunidades em tempos de redes sociais e IA”, questões como excesso de telas e “adultização” foram elencados como os principais desafios de educadores contemporâneos.
Com a hiperconexão de boa parte da sociedade, a realidade de trabalhar temas como mídia, algorítmos e ferramentas digitais se tornou vital para a formação dos jovens e adolescentes. “Quando ele [o jovem] se vê como uma pessoa com direitos, ele busca entender mais sobre aquilo que ele consome” afirma Patrícia Blanco, do Instituto Palavra Aberta. Desde 2017, a educação midiática já está incluso na Base Nacional Comum Curricular, porém, o uso desrregulado do ambiente digital ainda é alto por crianças e adolescentes.
Esse fator contribuiu para, no começo do ano, a lei 15.100/25 proibir o uso de celulares nas escolas de todo país, desde a educação infantil até o ensino médio. No Rio de Janeiro, a proibição é anterior – desde o começo de 2024 – e, segundo estudo da Universidade de Stanford, na Inglaterra, a educação apresentada na cidade melhorou em português e matemática. Com a popularização das Inteligências Artificiais Generativas (IAGs) e o risco da “adultização” em crianças e adolescentes, as dinâmicas educações estão em constante transformação.
“Os jovens não estão mais ralando o joelho, os problemas agora são a autolesão e diagnósticos psicológicos”, diz Felipe Fortes, um hebiatra, médico especializado em adolescentes. Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde, um a cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos em todo o mundo sofrem de problemas de saúde mental e não possuem tratamento adequado. Somado ao dado de que, segundo pesquisa da TIC Kids de 2023, cerca de 80% dos adolescentes têm perfil em alguma rede social, o letramento digital também pode ajudar a controlar uma crise de saúde mental pública entre as crianças e adolescentes.
“Mesmo com toda a discussão de regulamentação das redes, educar os jovens para entender as redes têm ficado de lado” afirma Patrícia. O debate proporcionou pontos que contribuem para uma responsabilização de toda a sociedade, principalmente aqueles que estão na linha de frente da plataformização e dos impactos das IAGs: “O jornalismo tem um papel pedagógico fundamental: educar a sociedade para o uso consciente” completa












