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Justiça mantém bloqueio de R$ 10,9 milhões do Corinthians referentes à Copa do Brasil

Corinthians faturou R$10,9 milhões ao eliminar o rival Palmeiras nas oitavas de finais 

A Justiça de São Paulo manteve o bloqueio de R$ 10,9 milhões em premiações do Corinthians pela Copa do Brasil. O valor havia sido conquistado com a classificação às quartas de final, após a vitória sobre o Palmeiras. A decisão judicial atende a uma ação movida pelo empresário André Cury, que tramita na 1ª Vara Cível do Foro do Tatuapé, na capital paulista.

O clube alegava que, por estar enquadrado no Regime Centralizado de Execuções (RCE), não poderia sofrer novos bloqueios. No entanto, a Justiça entendeu que a ordem em questão foi determinada antes da adesão do Corinthians ao regime. Com isso, a quantia deve ser transferida para a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo.


Entenda o Regime Centralizado de Execuções

O RCE foi criado para concentrar execuções contra empresas ou instituições em dificuldades financeiras em um único juízo. No futebol, a medida ganhou relevância porque clubes endividados enfrentam diversos bloqueios judiciais, o que compromete salários e planejamento esportivo.

Segundo especialistas em direito esportivo, o regime busca equilibrar o fluxo de caixa, evitar penhoras fragmentadas e permitir um planejamento financeiro mais claro. No caso do Corinthians, todas as receitas deveriam ser direcionadas para esse juízo central, que distribui os recursos de forma organizada aos credores.

A disputa judicial com André Cury

O empresário André Cury é figura conhecida no futebol brasileiro por intermediar negociações de atletas de destaque, entre eles Yuri Alberto, atacante do Corinthians. Ele afirma ter emprestado valores expressivos ao clube e cobra mais de R$ 30 milhões em cinco processos distintos.

Segundo Cury, o Corinthians também não quitou parcelas referentes à contratação de Yuri Alberto. O empresário acusa o clube de descumprir determinações judiciais e distorcer decisões que proibiam a liberação de valores bloqueados. Procurada, a defesa do Corinthians não comentou o caso até a publicação desta reportagem.

Impacto financeiro e esportivo no Corinthians

A manutenção do bloqueio ocorre em um momento delicado para o clube. O Corinthians enfrenta dívidas que ultrapassam R$ 1 bilhão, segundo balanço financeiro divulgado em abril deste ano. A diretoria vem apostando no RCE como mecanismo para reorganizar o fluxo de pagamentos e ganhar fôlego.

No entanto, a retenção de premiações da Copa do Brasil pode dificultar o planejamento de caixa. Esses valores costumam ser usados para despesas emergenciais, como quitação de salários, fornecedores e viagens da equipe.

Próximos compromissos na Copa do Brasil

Apesar do impasse judicial, o Corinthians volta a campo pela Copa do Brasil na próxima quarta-feira, quando enfrenta o Athletico-PR, em Curitiba, pelo jogo de ida das quartas de final. O duelo de volta será disputado na Neo Química Arena, em São Paulo.

A equipe busca a classificação para a semifinal, mas o ambiente extracampo segue instável. Internamente, dirigentes consideram que a instabilidade financeira pode repercutir no desempenho esportivo, embora a comissão técnica tente blindar o elenco das questões jurídicas.

Clubes e os desafios do endividamento no futebol brasileiro

O caso do Corinthians não é isolado. Diversos clubes brasileiros recorreram ao Regime Centralizado de Execuções nos últimos anos. Botafogo, Cruzeiro e Vasco enfrentaram processos semelhantes, e alguns chegaram a adotar a chamada Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como alternativa de reestruturação.

No entanto, o modelo ainda divide opiniões. Para especialistas, o RCE é um passo importante, mas insuficiente para resolver crises estruturais. O endividamento no futebol brasileiro está ligado também à má gestão, contratos inflacionados e receitas instáveis.

Os próximos meses

A transferência do valor bloqueado para a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais deve definir o destino da quantia em disputa. Enquanto isso, o Corinthians segue tentando ampliar a receita com patrocínios, bilheteria e premiações esportivas.

A disputa judicial com André Cury ainda deve se arrastar, uma vez que há pelo menos cinco processos ativos. Advogados especializados preveem que novos embates judiciais podem ocorrer, caso o clube insista em recorrer para liberar recursos.

Fonte: Olé do Brasil

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