Ferramentas como ChatGPT e Copilot serão apresentadas em evento voltado à tecnologia educacional.
A inteligência artificial (IA) começa a ocupar espaço na educação pública. Pela primeira vez, professores da rede básica do Distrito Federal terão acesso a uma oficina voltada exclusivamente para o uso pedagógico dessas tecnologias. A capacitação integra a programação do Brasília Mais TI 2025, evento que chega à sua 7ª edição com foco em inovação e transformação digital. A proposta é oferecer aos educadores ferramentas práticas que possam ser incorporadas ao planejamento de aulas, à personalização de conteúdos e à avaliação de desempenho dos alunos.

Segundo os organizadores, a iniciativa surgiu da percepção de que a IA já faz parte da vida dos estudantes, mas ainda não é plenamente compreendida pelos professores. Carlos Jacobino, presidente do Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor-DF), explica: “Ao organizar a 7ª edição do Brasília Mais TI, entendemos que seria fundamental abrir espaço para capacitar educadores, oferecendo ferramentas práticas que possam ser incorporadas em sala de aula.”
A oficina foi planejada com foco nos professores da rede pública, que enfrentam maiores dificuldades de acesso a cursos de atualização tecnológica. Porém, docentes da rede privada também poderão participar. Para Bia Portella, presidente do Instituto Bem IA, o ponto central é mostrar que a inteligência artificial deve ser vista como aliada:
“A IA não é um competidor do professor, é um facilitador para que ele possa usar melhor os seus recursos e a sua capacidade cognitiva, voltado para a transformação.”
Durante a oficina, os participantes terão contato com plataformas como ChatGPT, Gemini (Google), Copilot (Microsoft) e Manus, ferramenta chinesa voltada para educação. O objetivo é apresentar como cada recurso pode contribuir para atividades práticas, desde a elaboração de conteúdos até a avaliação de desempenho dos alunos. A escolha das ferramentas foi validada com professores, para garantir aplicabilidade no cotidiano escolar.
A criação da oficina também foi motivada por uma experiência pessoal de Bia Portella. Ela conta que a ideia surgiu após conversas com professores de escolas públicas, entre eles sua prima, pedagoga e gestora em Santo Antônio do Descoberto, no entorno do DF. Segundo ela, a educadora relatava a dificuldade de encontrar eventos que incluíssem professores da rede pública nas discussões sobre IA e ensino. “Isso me trouxe um desconforto. Eu falava muito sobre inteligência artificial aplicada a negócios, mas percebi que havia uma lacuna quando se tratava da educação.”
Embora faça parte da programação do Brasília Mais TI 2025, a iniciativa não será isolada. O Instituto Bem IA, responsável pela organização, já negocia com prefeituras para ampliar o projeto e oferecer a capacitação de forma gratuita em outras cidades. A meta é fortalecer o letramento digital de professores e alunos.
Para Jacobino, a proposta dialoga diretamente com os desafios das salas de aula:
“A inteligência artificial já faz parte do cotidiano dos estudantes e professores, mas ainda existe um grande desafio em compreender como usá-la de forma ética, criativa e aplicada ao ensino. A ideia é aproximar a IA da realidade escolar e contribuir para a formação de professores mais preparados para dialogar com a nova geração.”
Mais do que ensinar a lidar com softwares, a oficina pretende promover uma mudança cultural na rede pública. O objetivo é estimular professores a experimentar novas metodologias e se aproximar da realidade digital dos alunos. Bia Portella reforça: “A oficina procura unir a força da tecnologia para ser um braço facilitador da jornada de ensino do professor. O pleno conhecimento da inteligência artificial facilita a jornada de ensino, transformando um professor diferenciado dentro do mercado de trabalho. A iniciativa pode promover uma educação mais inclusiva, pensando até mesmo nos próximos anos.”












