Uma banda veterana em busca da renovação.
O Rise Against, a lendária banda de hardcore punk do século XXI lançou o seu novo álbum e também o 10º álbum de estúdio, na última sexta-feira (15) pela gravadora Loma Vista Recordings
Formada em 1999, o Rise Against sempre se destacou como uma das bandas mais engajadas do hardcore punk contemporâneo. Álbuns como Siren Song of Counter Culture (2004), The Sufferer & The Witness (2006) e Appeal To Reason (2008) consolidaram a identidade da banda: riffs agressivos, refrões melódicos e letras que misturam críticas sociais com mensagens de resistência.
Com o passar do tempo, a banda passou a experimentar mais melodias e arranjos mais acessíveis, o que atraiu novos públicos mas também trouxe críticas de parte dos fãs antigos, que sentiam falta da crueza dos primeiros álbuns. Nowhere Generation (2021), por exemplo, foi bem recebido pela crítica, mas apontado como um disco mais “seguro”.
O conceito de Ricochet
O título resume bem a ideia: o efeito ricochete das ações humanas, individuais ou coletivas, na sociedade. O vocalista Tim McIlrath descreveu o álbum como uma reflexão sobre como “vivemos em um sistema em que tudo que fazemos reverbera, para o bem ou para o mal.
Isso se traduz nas letras, que abordam:
- Polarização digital: como algoritmos alimentam o ódio e a raiva (Nod, State of Emergency).
- Solidariedade e resistência: a ideia de que é possível resistir coletivamente (Us Against The World, Soldier).
- Consequências sociais da apatia: o perigo de fechar os olhos frente às injustiças (The Black Crown).
Essa visão conecta a obra com o espírito ativista que sempre marcou a banda contra guerras, desigualdades, exploração animal e a injustiça social.
Produção refinada, trabalhada, risco e a inovação
A escolha por Catherine Marks como produtora foi ousada. Conhecida por trabalhos experimentais (Foals, Boygenius), Marks trouxe o polimento sonoro que muitos fãs de punk podem estranhar: camadas de guitarras mais processadas, vocais mais limpos, batidas com mais espaços na mixagem.
Ao lado de Alex Moulder, a mixagem elevou o som da banda a patamares quase “arena rock”. Para uns, isso significa evolução e expansão; para outros, soa como a perda da crueza que caracterizava a fúria punk do Rise Against.
O contraste é visível:
- Faixas como “Nod” e “Sink Like a Stone” mantém a agressividade tradicional.
- Já “I Want It All” e “Gold Long Gone” exploram arranjos mais melódicos, com refrões que poderiam estar em rádios mainstream.
O destaque para “Black Crown”
A música “Black Crown”, com participação de Andy Hull (Manchester Orchestra) é apontada como o coração do álbum. A faixa une duas vozes distintas para denunciar a apatia diante do sofrimento alheio. É um momento de vulnerabilidade e força, lembrando canções mais melódicas da banda como Swing Life Away por exemplo, mas com uma carga política ainda mais pesada.
Recepção dos críticos e dos fãs
A crítica internacional se dividiu:
- The Guardian elogiou a coragem da banda em expandir os seus horizontes, destacando “Black Crown” como ápice emocional.
- Outros veículos como PunkRockTheory, questionaram a produção polida não enfraqueceu a agressividade necessária para um álbum político.
Entre fãs, fóruns como o Reddit e comunidades no Discord refletem essa ambivalência:
- Parte celebra o simples fato da banda estar ativa e lançando material relevante após 25 anos de carreira.
- Outra parte acusa Ricochet de soar “genérico demais” em alguns momentos, embora reconheça músicas de grande impacto.
A importância cultural de Ricochet atualmente
O Rise Against sempre estava à frente de seu tempo de sua cena como uma das bandas de punk/hardcore a atingir grandes públicos sem abandonar as suas causas. Em 2025, com um mundo ainda mais fragmentado, a banda volta a apontar o dedo para um problema real: o controle da raiva coletiva e a manipulação por sistemas políticos e econômicos.
Assim, Ricochet não é apenas um álbum de estúdio:
É também um lembrete de que a música punk pode continuar sendo uma ferramenta de reflexão política e engajamento.
É um manifesto sobre os riscos da apatia e da divisão social.












