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Até onde o futebol vai proteger Neymar Jr.? 

Neymar Jr. no Santos

Foto: Reprodução / Santos FC


No último domingo (10), Cruzeiro e Santos se enfrentaram pela 19ª rodada do Brasileirão no estádio do Mineirão, em Minas Gerais. O alvinegro praiano superou a Raposa com um placar de 2 a 1, resultado doloroso para o time mineiro, onde se afasta da liderança do campeonato e uma vitória empolgante aos santistas, que tentam desviar da zona de rebaixamento. O Cruzeiro está em segundo lugar (37 pontos) e o Santos na décima quarta colocação da tabela (21 pontos e um jogo a menos).

Contudo, antes do apito inicial, o fotógrafo independente Yuri Laurindo foi levado por seguranças para fora do estádio depois de esbarrar em Neymar. Yuri é um fotógrafo brasileiro que concorreu ao prêmio de melhor fotografia esportiva de 2024 pelo AIPS (Associação Internacional da Imprensa Esportiva) Awards com o registro ‘Sangue, Dor e Paixão’, fotografia que ilustra a imagem de uma torcedora do Racing Club, da Argentina, chorando no alambrado do El Cilindro com cortes de arame farpado durante o final do jogo das semifinais pela Sul-Americana contra o Corinthians. No mesmo ano, o Racing foi campeão da competição. 

Na situação, que foi registrada na transmissão, Neymar foi cumprimentar o atacante do Cruzeiro, Gabigol, na área técnica antes da bola rolar e o jogador santista acabou esbarrando no fotógrafo Yuri Laurindo, que estava registrando o encontro dos dois atletas. Neymar Jr. pediu desculpas e, de imediato, o fotógrafo esportivo foi arrancado por um supervisor da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e um funcionário da Federação Mineira de Futebol (FMF), comunicando que Yuri não poderia trabalhar no local. Mais tarde, seguranças foram chamados para escoltar o profissional até a saída do estádio. Testemunhas dizem que a agressividade dos agentes contra Yuri chamou a atenção da maneira que foi conduzida. Veja o vídeo:

Vídeo: Reprodução / Twitter

“Não sei se quero falar algo sobre o que aconteceu comigo ontem por ter medo de retaliações. A fotografia esportiva é minha profissão e é a única. Ela é literalmente minha única fonte de renda. Eu tenho um currículo longo e já estive em mais de 10 países, já passei por vários protocolos de jogo diferentes, não sou um moleque que estava em campo pra brincar. Só queria fazer meu trabalho. Não sei o motivo de ser tratado da forma que eu fui. Assédio moral publicamente com testemunhas não é uma coisa legal. Ao menos com respeito eu merecia ter sido tratado. Não temos fotos do jogo de ontem.” — pronunciamento de Yuri nas redes sociais.

Sem explicações do ocorrido, todas as circunstâncias deram a entender que pelo simples trombo do fotógrafo em Neymar foi o suficiente para a intimidação do profissional, tratando a estrela santista como uma personalidade “blindada” do Campeonato Brasileiro. 

No mesmo jogo, porém após a partida, o goleiro do Cruzeiro, Cássio, se manifestou em relação a sua visão de jogo. Na entrevista pós-jogo, ainda no gramado, Cássio fez duras críticas à arbitragem e questionou sobre a atuação de Neymar desde a sua volta no campeonato nacional.

“Jogando contra 12, né? O árbitro e o time do Santos. Com todo o respeito, contra o Ceará nós jogamos mal, contra o CRB não merecemos, mas hoje jogamos contra 12 fica difícil.”

“O Wilton pra mim é um dos melhores árbitros do Brasil, mas hoje ele brincou com tudo. E outra, será que a gente está preparado para ter um craque do nível do Neymar jogando no Brasil? O árbitro tem medo de marcar as coisas.” – declarou o goleiro.

A resposta do goleiro Cássio até a retirada do fotógrafo Yuri Laurindo são episódios que estão interligados não só por terem ocorrido no mesmo jogo, mas também são relacionados por uma mesma personalidade que o futebol brasileiro coloca coragem para defender. Neymar reconhece que é a grande figura desta edição do Brasileirão, porém, não é aceitável que o futebol nacional trate essa celebridade como centro absoluto do campeonato.

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