Pais e filhos que dividem a mesma profissão mostram como o trabalho pode fortalecer vínculos e perpetuar valores familiares.
Neste domingo (10), o Brasil celebra o Dia dos Pais, data que movimenta o comércio, emociona as redes sociais e, sobretudo, convida à reflexão sobre os vínculos familiares. Em meio às homenagens, histórias de pais e filhos que compartilham a mesma profissão ganham destaque por revelarem não apenas afinidades, mas também legados de trabalho, valores e aprendizado mútuo.
Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) em 2025, datas comemorativas como o Dia dos Pais movimentam mais de R$ 7 bilhões no varejo brasileiro.
Mas além do impacto econômico, o dia também é marcado por relatos que mostram como o ambiente profissional pode se tornar espaço de convivência e transmissão de saberes entre gerações.
A seguir, três histórias que ilustram como o trabalho pode unir pais e filhos, seja no balcão de um bar, no banco de um táxi ou no escritório de advocacia.
Tradição e união no bar Hora Extra
No bairro de Vila Valqueire, zona oeste do Rio de Janeiro, o bar Hora Extra é mais do que um ponto de encontro, é o reflexo de um sonho realizado por Paulo Tavares, que há mais de uma década decidiu transformar sua paixão por petiscos e convivência em negócio.
O espaço, conhecido pelos frequentadores como “o bar da família”, ganhou novo fôlego com a entrada do filho João Pedro, que trouxe inovação sem perder a essência.
“Meu pai sempre foi muito honesto e trabalhador. Cresci vendo isso e quis seguir o mesmo caminho”, conta João Pedro, que inaugurou o restaurante Hora Certa, uma extensão mais estruturada do bar original.
A escolha do nome não foi por acaso: “Foi tudo acontecendo na hora certa”, diz ele, sobre a sincronia entre gerações.

Hoje, os dois estabelecimentos coexistem como símbolo de união e empreendedorismo familiar. “O maior patrimônio que nós temos é ver as pessoas felizes”, resume Paulo, emocionado com o impacto que seu sonho teve na comunidade.
Lições de vida ao volante com a família Montagnani
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, o ponto de táxi da família Montagnani é mais do que um local de trabalho, é um espaço de troca, respeito e aprendizado.
Durval Montagnani, taxista há mais de 30 anos, viu o filho Pierre seguir seus passos, mesmo sem ter inicialmente o desejo de entrar na profissão.
“Eu nunca tive vontade de ser taxista, mas o tempo passou rápido e eu precisava trabalhar. Acabei entrando e fui aprendendo com meu pai”, conta Pierre, que hoje reconhece os ensinamentos recebidos como fundamentais. “Ele me ensinou a dirigir, a lidar com os clientes e até a fazer amizades durante as corridas.”
A convivência profissional entre pai e filho se traduz em parceria e evolução. “O bom de trabalharmos na mesma área é que podemos conversar sobre isso, trocar ideias e dicas que ajudam no dia a dia”, explica Pierre.
Ele destaca ainda o papel das gerações na construção do conhecimento: “A geração do meu pai me ajuda a entender melhor a cidade, enquanto a nossa ajuda a deles a usar a tecnologia a seu favor.”
Durval, por sua vez, reforça os valores que sempre buscou transmitir: “Trabalho e honestidade. O ponto de táxi é um ambiente de respeito, e é isso que quero deixar como exemplo.”

Severino e João Camboim: entre códigos e afeto, o direito de aprender com o pai
No centro de São Bernardo do Campo (SP), o escritório da família Camboim é palco de debates jurídicos e também de conversas sobre ética, política e humanidade.
João, filho do advogado Dr. Severino Camboim, cresceu achando fóruns entediantes, até que a adolescência e o interesse por política o aproximaram da profissão do pai.
Hoje, estagiário no escritório, João vive o desafio de conciliar a relação familiar com a profissional. “É uma faca de dois gumes”, admite, destacando a liberdade de discordar e a responsabilidade de aprender.
A convivência com o pai e com um tio promotor de justiça foi decisiva para sua escolha de carreira. “O maior ensinamento que recebi foi sobre equilíbrio emocional. O direito é uma área em que você vira terapeuta. É preciso não ser passional, mas também não perder a alma”, diz João, refletindo sobre a complexidade de lidar com pessoas e processos.
O valor do trabalho em família no Brasil
Segundo pesquisa do Sebrae, em 2023 cerca de 90% das empresas brasileiras são familiares, e muitas delas contam com a participação ativa de pais e filhos.
A convivência no ambiente profissional pode ser desafiadora, mas também oferece oportunidades únicas de aprendizado, confiança e continuidade.
Neste Dia dos Pais, histórias como as de Paulo, Durval e Severino mostram que o trabalho pode ser mais do que sustento, pode ser elo, legado e expressão de afeto.
Seja no balcão, no banco do carro ou na mesa de audiência, o que permanece é o vínculo: forte, verdadeiro e transformador.
Por Thayssa Souza
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