Delegações denunciam preços altos e exclusões; risco de mudança de sede pressiona autoridades brasileiras
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O governo federal lançou o portal oficial de reservas de hospedagem para a COP30, que será realizada em Belém entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. O site, no entanto, entrou no ar com meses de atraso. A plataforma havia sido anunciada em maio, com previsão de funcionamento para junho.
Neste primeiro momento, o sistema é voltado para 98 países em desenvolvimento ou insulares, com limite máximo de diária fixado em 220 dólares. Para as demais nações, o teto é de 600 dólares por noite. A escolha de quais países teriam acesso às tarifas reduzidas provocou críticas, principalmente de delegações latino-americanas, que questionaram a ausência de critérios objetivos. O desconforto aumentou com casos como o do Quênia, que foi incluído no grupo prioritário, enquanto a Nigéria, com indicadores sociais semelhantes, ficou de fora.
Para ampliar a oferta de hospedagens, o governo adotou uma série de medidas. Além da construção de novos hotéis e da adaptação de prédios públicos como hostels, foram firmadas parcerias com plataformas como Airbnb. Uma das soluções mais comentadas foi a contratação de dois navios de cruzeiro, o MSC Seaview e o Costa Diadema, que devem oferecer cerca de seis mil camas. As embarcações ficarão atracadas no Porto de Outeiro, a aproximadamente 30 minutos do Parque da Cidade, onde acontecerão as principais atividades da conferência. O contrato com as operadoras dos navios prevê uma compensação de até 259 milhões de reais caso a capacidade de hospedagem não seja completamente ocupada.
Apesar dos esforços, a resposta internacional tem sido de forte cobrança. Representantes de delegações africanas e de outros países menos favorecidos têm denunciado preços abusivos. O valor médio considerado aceitável pela ONU é de cerca de 149 dólares por dia, mas há relatos de hotéis cobrando até 10 ou 15 vezes mais. A disparidade nos preços levou à pressão por uma possível mudança de sede da COP30.
Diante da repercussão, o governo brasileiro informou que está em diálogo com governos estaduais, plataformas privadas e o setor hoteleiro para buscar soluções. As autoridades destacaram, no entanto, que a legislação brasileira não permite controle direto sobre os valores praticados pela rede privada. Uma nova reunião com o Secretariado da ONU está marcada para o dia 11 de agosto. Até lá, o país precisa apresentar alternativas viáveis para garantir hospedagem acessível, especialmente às delegações que contam com poucos recursos financeiros.











