Mais de 5,8 milhões de unidades foram vendidas no primeiro mês; lucro operacional também superou estimativas
A Nintendo mais do que dobrou sua receita no primeiro trimestre fiscal de 2025, impulsionada pelas vendas recordes do console Switch 2, lançado no início de junho. Segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (1º) no site oficial de relações com investidores da empresa, foram vendidas 5,82 milhões de unidades do novo videogame apenas no primeiro mês de comercialização.
Os números surpreenderam o mercado. A receita da companhia alcançou 572,3 bilhões de ienes (cerca de US$ 3,8 bilhões) no trimestre encerrado em 30 de junho — alta de 132% na comparação anual, e acima da expectativa de 474,8 bilhões de ienes projetada por analistas da LSEG.
Já o lucro operacional foi de 56,9 bilhões de ienes, superando também os 53,4 bilhões estimados.

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Plataforma dedicada impulsiona resultado
O crescimento expressivo das receitas da Nintendo teve como principal motor a sua divisão de videogames dedicados, responsável por 555,5 bilhões de ienes no trimestre — o equivalente a mais de 97% do faturamento total da empresa no período. O desempenho representa um salto de 142,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, puxado pelo lançamento e pela forte demanda inicial do Switch 2.
Além do preço mais elevado do novo console em relação ao seu antecessor, outro fator importante foi o aumento do ticket médio por usuário, reflexo da venda de acessórios, versões premium do console e pacotes especiais que incluem jogos e brindes. Segundo analistas, a estratégia da Nintendo de criar um ecossistema robusto ao redor do hardware — incluindo serviços online, como o Nintendo Switch Online, e lançamentos simultâneos de títulos de peso — tem impulsionado não apenas o número de unidades vendidas, mas também a rentabilidade por cliente.
Títulos como Zelda: Echoes of Time, Mario Kart X e Super Smash Bros. Universe, todos lançados junto com ou nas semanas seguintes ao novo console, foram cruciais para manter o engajamento alto e estimular a compra do Switch 2. A empresa também vem apostando na retrocompatibilidade, permitindo que jogos do console anterior sejam usados na nova plataforma, o que facilita a transição dos usuários e reduz a barreira de entrada para novos consumidores.
“Estamos observando um comportamento semelhante ao lançamento do Switch original, mas com uma base instalada muito mais preparada e engajada”, destacou o analista Hiroshi Takahashi, da Nomura Securities. “O Switch 2 está se beneficiando de uma comunidade consolidada, com alto grau de fidelidade e expectativa por novos títulos.”
Além disso, a Nintendo tem mantido uma política mais agressiva de reposição de estoque, evitando a escassez registrada em lançamentos anteriores. A empresa também ampliou sua rede de distribuição e priorizou grandes mercados como Estados Unidos, Europa e Japão nas primeiras semanas de venda.
Essas ações contribuíram para o forte desempenho da plataforma e reforçam o papel central que os consoles continuam a exercer na estratégia da companhia, mesmo em um cenário global de crescente popularização do jogo por streaming e da competição com smartphones e tablets.

Foto: Universal/ Divulgação
Projeções conservadoras, apesar do sucesso
Apesar do resultado robusto, a Nintendo optou por manter inalteradas suas projeções para o ano fiscal que termina em março de 2026. A expectativa segue em 1,9 trilhão de ienes em receita e 320 bilhões de ienes em lucro operacional.
Lançado em 5 de junho, o Switch 2 superou 3,5 milhões de unidades vendidas nos primeiros quatro dias. A empresa projeta 15 milhões de unidades comercializadas até o fim do ano fiscal — número considerado conservador por analistas de mercado.
Ainda assim, as ações da Nintendo acumulam alta de cerca de 40% em 2025, impulsionadas pelo entusiasmo em torno do novo console híbrido.
Tarifas dos EUA podem afetar desempenho futuro
Um dos possíveis riscos para o desempenho da empresa está relacionado à imposição de tarifas sobre produtos eletrônicos importados nos Estados Unidos. Apesar disso, especialistas apontam que a Nintendo deve se adaptar ao novo cenário.
“Embora a rentabilidade da Nintendo possa sofrer no curto prazo por conta das tarifas, a empresa tende a compensar essas perdas no longo prazo com o aumento da base de usuários e a venda de mais jogos”, afirmou Kazunori Ito, diretor de pesquisa em ações da Morningstar.
A própria Nintendo reconheceu as mudanças no ambiente de mercado, mas minimizou os impactos para o exercício atual. “Apesar das alterações no cenário, como as medidas tarifárias dos EUA, neste momento não há impacto significativo na nossa previsão de lucros para o ano fiscal”, informou a empresa em nota.
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