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Risco do futebol brasileiro: o aumento de lesões no ligamento cruzado anterior (LCA)

Bruno Henrique, do Flamengo, após rompimento do ligamento cruzado anterior (LCA), ligamento colateral lateral e canto posterolateral, em junho de 2022. / Foto: Wanderson Gomes (Gazeta Press)

Com sete meses de Brasileirão Betano 2025, já foram registrados cinco diagnósticos de lesões no ligamento cruzado anterior (LCA) entre atletas da primeira divisão do campeonato. No ano anterior, as lesões no joelho chegaram a 30 episódios, 15 deles em equipes da Série A e outros 15 registrados na Série B. Nos últimos anos, esse tipo de contusão começou a preocupar atletas, comissões e até dirigentes que foram afetados pelo rompimento do LCA.

Como é uma lesão no ligamento cruzado anterior?

As lesões nos ligamentos são chamadas de “estiramentos” e são classificadas conforme a gravidade do caso:

– Distinções de grau 1: o ligamento é levemente estirado e danificado, mas consegue manter a articulação do joelho regular.

– Distinções de grau 2: o ligamento é esticado até o ponto de se soltar da articulação, ruptura parcial do ligamento.

– Distinções de grau 3: é a ruptura total do ligamento, separado em dois pedaços, e a articulação do joelho fica instável.

Causas

Danos à cartilagem articular, aos meniscos e a outros ligamentos estão associados aos quadros clínicos de LCA. Ele pode ser lesionado de diversas formas:

  • Mudança rápida de direção
  • Parar de uma vez
  • Reduzir a velocidade durante uma corrida
  • Apoiar os pés incorretamente depois de um salto
  • Contato direto ou colisão, como um desarme no futebol

Fonte: Ortho Info

Com desfalques em razão das lesões do LCA, como o volante Maycon do Corinthians e o centroavante Jonathan Calleri do São Paulo, os quais são destaques de seus clubes, o planejamento da temporada é afetado com a ausência de jogadores que atuam constantemente nos campeonatos. Há também os jovens das categorias de base que, mesmo que não ganhem minutagem ou algumas vezes são relacionados nos times principais, têm contusões com o mesmo caso dos jogadores titulares, assim como o episódio do jogador Ryan Francisco, da base do tricolor paulista, que vinha se destacando no ataque da equipe.

“O que observamos atualmente não é necessariamente um aumento real no número de casos, mas sim uma maior capacidade de diagnóstico. Com o avanço dos exames e maior conhecimento médico, é possível identificar lesões no ligamento cruzado anterior (LCA) de forma mais precoce — inclusive em atletas da base, que hoje têm acompanhamento mais próximo e acesso à medicina esportiva desde cedo.” — argumenta o Dr. João Grangeiro, atual presidente da SBRATE (Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte), em relação a demanda de quadros do LCA para o portal O Informe. 

Ryan Francisco, jogador de futebol do São Paulo, junto com familiares e o centroavante Calleri, também do Tricolor Paulista, após operar o joelho.
Ryan Francisco e Calleri após a cirurgia no LCA do atacante da base do tricolor. / Foto: Arquivo pessoal

Existe o perfil que será mais atingido pela lesão no ligamento cruzado anterior e a posição no campo influencia no aumento de risco da lesão. De acordo com o Dr. João Grangeiro, especializado em cirurgia no joelho e medicina esportiva, as entorses no LCA ocorrem em modalidades que exigem mudanças bruscas de direção, envolvem saltos e aterrissagens – assim como é no futebol. Os atletas que realizam maiores atividades de rotação e mudança imediata de direção, como os meia-campistas, estão mais aptos, infelizmente, ao risco de romper o ligamento cruzado anterior. 

Há muitos atletas que, após o período de recuperação e preparo físico, não conseguem atuar 100% nos jogos da temporada e ainda precisam fazer pausas durante as competições, ficando vulnerável às atividades. No calendário do futebol brasileiro, o esforço físico causa exaustão e qualquer atleta fica suscetível a risco de lesões, além da contusão no LCA. 

“A cirurgia para reconstrução do LCA tem como objetivo devolver a estabilidade do joelho e permitir o retorno pleno ao esporte. Na prática, muitos atletas voltam a competir em alto nível. No entanto, existem casos em que o rendimento não é o mesmo — isso pode ocorrer por diversos fatores, incluindo questões físicas e também psicológicas.” — declara o Dr. João Grangeiro, sobre a recuperação dos atletas após a lesão do ligamento cruzado anterior para o portal O Informe. 

O LCA é o inimigo de muitos atletas e comissões técnicas que projetam uma campanha fundamental no campeonato. É com o cuidado de preparadores e médicos especialistas que o condicionamento do atleta pode render um ano inteiro sem o risco de lesões.

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