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Casa Museu Ema Klabin abre acervo inédito ao público em agosto

Foto: Nelson Kon/ Arquivo Casa Museu Ema Klabin

Exposição revela os bastidores da residência antes de sua transformação em museu

A Casa Museu Ema Klabin abre a exposição Tempos de uma casa, com curadoria de Paulo de Freitas Costa. A mostra fica em cartaz até o dia 24 de agosto e convida o público a conhecer os bastidores da residência de Ema Klabin (25/01/1907 – 27/01/1994) antes de sua conversão em museu. Além das valiosas coleções de arte, a exposição revela aspectos pouco conhecidos do cotidiano da colecionadora.

O público poderá explorar o acervo com mais de 1.600 obras, entre pinturas, mobiliário, livros raros, peças arqueológicas e objetos de arte decorativa, e terá acesso, pela primeira vez, a itens preservados na reserva técnica da casa. A mostra reúne ainda cerca de 80 documentos, mais de 60 fotografias históricas e 90 objetos pessoais e domésticos da instituição. Depoimentos de ex-funcionários e visitantes ajudam a compor um retrato sensível e multifacetado da casa e de seu funcionamento.

Para criar uma atmosfera intimista, Tempos de uma casa exibe objetos do cotidiano que revelam a rotina doméstica, como um delicado frasco de perfume em cristal lapidado com detalhes em ouro, um secador de cabelo com cúpula, uma mesa de jogos com tampo de marchetaria, um batedor de tapetes, entre outros. Esses itens, além de funcionais, preservam as histórias e a essência do tempo vivido por Ema Klabin na residência.

Outro destaque da exposição são os convites para eventos históricos, como a recepção em homenagem à Rainha Elizabeth II e ao Príncipe Philip, o chá oferecido à Imperatriz do Irã e festas temáticas, como a curiosa “Deusas entre os homens”, de 1950. Também estarão expostos cadernos preenchidos por Ema com listas de vinhos e receitas, agendas pessoais, como a de 1963, com anotações sobre viagens e cursos, e registros bancários e administrativos da própria Fundação Ema Klabin, idealizada por ela.

O objetivo de Paulo de Freitas Costa com a curadoria é oferecer um olhar mais íntimo e realista sobre a vida na casa, rompendo com a imagem idealizada que muitas vezes envolve grandes colecionadores. Em vez de narrativas romantizadas, a exposição apresenta histórias reais, construídas ao longo do tempo.

“O que esta exposição propõe é um olhar para além da elegância e do silêncio da casa: além de Ema Klabin, que construiu este espaço como extensão de sua personalidade, oito funcionários trabalhavam diariamente, cuidando de tudo com dedicação. Suas histórias ganham destaque na mostra, por meio de fotos, depoimentos e memórias que ajudam a reconstruir o cotidiano da residência. A casa também era ponto de encontro de empresários, artistas e autoridades, e tudo isso só acontecia graças ao trabalho discreto de quem estava nos bastidores. Embora Ema morasse sozinha, nunca viveu isolada: havia toda uma rede ao seu redor”, explica Paulo.

O intimismo da mostra inclui também o cotidiano dos diversos funcionários que trabalharam ao longo dos 33 anos em que Ema Klabin viveu na casa da Rua Portugal. Eles tiveram papel fundamental na construção de um ambiente acolhedor, cujas memórias e histórias enriquecem a trajetória da residência.

Ema Klabin ao lado da pequena Ema Lopes, filha de uma funcionária, que recebeu esse nome em sua homenagem. Foto: Divulgação/ Arquivo Ema Lopes, reprodução Arquivo Casa Museu Ema Klabin.
A antiga cozinha da casa, que não é aberta ao público, mantém parte de sua estrutura original e hoje serve como espaço para guarda-volumes e alimentação dos funcionários da instituiçãoFoto: Arquivo Casa Museu Ema Klabin

Tradição e ancestralidade também estão presentes na exposição. Ema Klabin realizava jantares e almoços cuidadosamente planejados, que reuniam nomes importantes da cena cultural e intelectual brasileira, como Assis Chateaubriand, Magda Tagliaferro, João Carlos Martins, José Mindlin, entre outros. A exposição traz uma mesa de jantar posta com base em registros originais da própria colecionadora, recriando eventos históricos e permitindo ao público vivenciar a atmosfera desses encontros

O universo apresentado em Tempos de uma casa busca reconstituir encontros, gestos de acolhimento e os detalhes do funcionamento diário da residência, além de particularidades da vida de Ema Klabin e sua paixão por objetos colecionáveis. A exposição é um convite à escuta e à observação, resgatando memórias que habitam os espaços e ajudam a compreender a trajetória da casa, e da própria Ema Klabin, para além da grandiosidade de sua coleção.

Exposição: Tempos de uma casa, com curadoria de Paulo de Freitas Costa

Período: Até 24 de agosto de 2025

Visitas livres: quarta a domingo, das 11h às 17h (permanência até 18h)

Visitas mediadas:

Quarta a sexta: 11h, 14h, 15h e 16h
Sábados, domingos e feriados: 14h
Ingressos:
R$ 20 (inteira)
R$ 10 (meia) para estudantes, idosos, PCD e jovens de baixa rendida
Gratuito para crianças de até 7 anos, professores e estudantes da rede pública
Endereço: Rua Portugal, 43 – Jardim Europa, São Paulo

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