Documento reúne dados sobre os impactos da jornada exaustiva, especialmente entre jovens da periferia
O Atlas da Escala 6X1, que será lançado na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), nesta sexta-feira (1°), aponta que jovens negros periféricos são os mais afetados pela jornada excessiva de trabalho. Segundo os dados, 70% relatam sintomas de estresse ocupacional e 30% apresentam sinais de burnout.
A pesquisa foi desenvolvida por pesquisadores do Observatório do Estado Social Brasileiro, do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro e da Associação Trabalho, Rede, Acompanhamento e Memória (TRAMA), com a participação de diversos trabalhadores.
O documento reúne críticas de 3.700 trabalhadores de 394 municípios brasileiros que vivem em condições precárias nos setores de comércio e serviços, frequentemente submetidos a jornadas exaustivas.
Com 14 capítulos analíticos e 83 mapas, o Atlas da Escala 6×1 também aborda temas como gênero, raça, moradia, educação, saúde mental, contrato intermitente, turismo, urbanização e trabalho rural.
Cada tópico oferece ao leitor um olhar detalhado sobre os múltiplos rostos da escala 6×1, a partir de dados, relatos e geografias distintas.
Em um trecho da introdução do documento, os organizadores da publicação afirmam que a saúde física e mental dos trabalhadores impacta no convívio social.
“A escala 6×1 não é apenas uma questão de organização do trabalho. Ela rouba o tempo de viver dos trabalhadores e trabalhadoras, impacta sua saúde física e mental, destrói o convívio familiar e bloqueia o acesso à cultura, à educação e ao lazer”.
O debate contará com a presença do médico e presidente da Fundacentro (Ministério do Trabalho e Emprego), Pedro Tourinho; do presidente do Sindicato dos Comerciários do RJ e coordenador executivo da TRAMA, Márcio Ayer; do professor da UFG e coordenador do Observatório do Estado Social Brasileiro, Tadeu Arrais; da deputada estadual (PCdoB) e do presidente da Comissão de Trabalho da Alerj, Dani Balbi e do presidente da CTB-RJ, Paulo Farias.
Situação da PEC 8/2025
De autoria da deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), a PEC 8/2025 propõe o fim da escala 6×1, com o objetivo de estabelecer uma jornada de quatro dias de trabalho por semana (até 8h por dia e 36h semanais), com três dias de folga.
Embora o projeto dialogue diretamente com as pautas levantadas pelo Atlas, não houve avanços significativos na Câmara dos Deputados devido à falta de agenda, à ausência de relator e à resistência política. Segundo pesquisa Genial/Quaest de julho de 2025, 70% dos deputados são contrários ao fim da escala 6×1, e apenas 22% se declararam favoráveis.












