Medida afeta países como o Brasil e gera queda de braço entre os EUA e potências.

Divulgação: Reuters/ Evelyn Hockstein
No último domingo (27), o presidente norte americano Donald Trump afirmou, após reuniões com a presidente da Comissão Europeia Ursula Von der Leyen, que as tarifas impostas sobre produtos exportados começarão a valer a partir do dia 01 de agosto. O republicano confirmou que a medida não sofrerá adiamento, apesar de tentativas de negociação dos países afetados.
Em sua passagem pela Escócia, Trump realizou o maior acordo já feito com a União Europeia, que inclui a compra de US$ 750 bilhões em energia e aumento do investimento geral nos EUA em US$ 600 bilhões. Os termos são favoráveis para os países europeus, que antes dependiam somente de fontes de energia russas.
Além do bloco europeu, cinco países já estabeleceram a porcentagem de tarifa: Japão (15% para ambos os países, além de um investimento de US$ 550 bilhões), Filipinas (19%), Indonésia (19%), Vietnã (20% para exportados e 40% para reexportados) e Reino Unido (10%). O acordo com esses países beneficia os EUA em setores como automóveis, alimentos e produtos agrícolas. Para países que não negociarem com o Washington, a taxação ficará entre 15% e 20%, conforme antecipado por Trump.
As conversas com a China ainda estão em andamento visto que, no início da guerra tarifária, o país havia sido taxado em 140% (a maior taxa de todas já registrada no período), gerando animosidade. Por enquanto, Pequim e Washington estudam manter uma trégua de 90 dias para que um novo acordo seja estabelecido.
Com os olhos agora voltados para a China, os EUA suspenderam medidas que prejudiquem as exportações de tecnologia para o país. No entanto, é possível que os próximos passos dessa escalada com a China não seja igual ao dos outros países.
Cenário de incertezas no Brasil
O Ministério de Desenvolvimento, Cultura e Comércio brasileiro busca uma negociação com o governo americano, sem sucesso, desde que a tarifa de 50% sobre produtos exportados foi anunciada no dia 9 de julho. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) conversou com o secretário de comércio americano Howard Lutnick tentando reverter a medida imposta pelo país, ao explicar os prós de um acordo menos agressivo e sem viés político-ideológico. No entanto, o outro lado está irredutível.
Lula culpa a influência de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre a decisão nesse embate. O deputado federal está nos EUA, desde março, buscando apoio e proteção contra as acusações de que o ex-presidente da república Jair Messias Bolsonaro foi o responsável por arquitetar conjuntamente um golpe de estado. Por isso, ele tem apoiado a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros. O Supremo Tribunal Federal abriu um inquérito para apurar se houve obstrução de justiça por parte de Eduardo. Lula ainda tem esperanças de que a situação tome um novo rumo e está aberto ao diálogo com os EUA.
O momento é visto como incerto por especialistas econômicos. Caso a lei da reciprocidade seja usada como resposta em último caso, haverá contramedidas que defendam o Brasil dos ataques que objetivam o enfraquecimento da economia do país e sua competitividade internacional. E isto inclui a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas à propriedade intelectual.











