O Boletim InfoGripe, da Fiocruz, aponta que hospitalizações entre crianças e idosos permanecem elevadas em diversos estados.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou, nesta quinta-feira (24), o novo Boletim InfoGripe, que sinaliza uma tendência de queda nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível nacional. No entanto, os números seguem elevados em diversos estados, principalmente entre crianças pequenas, afetadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR), e idosos, com maior incidência de influenza A. A atualização considera dados da Semana Epidemiológica 29, de 13 a 19 de julho.
O que é o InfoGripe?
Mantido pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde, o InfoGripe é uma iniciativa do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A plataforma auxilia as vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, orientando a população sobre prevenção e combate a surtos de doenças respiratórias.
Crianças e idosos são os mais afetados
A incidência de SRAG continua alta entre crianças pequenas, sendo o VSR o principal vírus identificado. Já entre os idosos, os casos associados à influenza A permanecem elevados em estados das regiões Centro-Sul, além de alguns do Norte e Nordeste.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos de SRAG foi de: 50,6% para o VSR, 21,2% para influenza A, 1,5% para influenza B, 26,2% para rinovírus e 2,9% para Sars-CoV-2 (Covid-19).
Entre os óbitos com confirmação laboratorial no mesmo período, os percentuais foram: 63,2% (influenza A), 17% (VSR), 12,3% (rinovírus), 5,1% (Covid-19) e 1,9% (influenza B).
Tatiana Portella, pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e integrante do InfoGripe, reforça a importância de medidas preventivas:
”De qualquer forma, a gente continua recomendando que as pessoas mantenham a vacinação contra a influenza e a Covid-19 em dia. E, para quem mora nos estados com alta de casos de SRAG, a orientação é seguir usando máscara em locais fechados, em unidades de saúde e diante do aparecimento dos sintomas de gripe ou resfriado”, pontua.

Estados em atenção
O Amazonas apresenta a maior incidência de SRAG no país, com classificação de risco ou alto risco e tendência de crescimento a longo prazo. Outros 20 estados e o Distrito Federal também registram níveis elevados, embora sem sinal de crescimento contínuo. Entre eles estão: Acre, Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.
A capital Campo Grande (MS) também está em alerta, sendo a única entre as 27 capitais brasileiras com sinal de crescimento da SRAG na maioria das faixas etárias.
Casos de Covid no Brasil
De acordo com Tatiana Portella, os casos graves de Covid-19 seguem estáveis na maior parte do país. A exceção é o Ceará, onde foi observado um leve aumento nas notificações. No Rio de Janeiro, um crescimento recente parece ter perdido força nas semanas mais recentes.
Situação epidemiológica nacional
Desde o início do ano epidemiológico de 2025, o Brasil já registrou 139.323 casos de SRAG, dos quais 53% tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório. Entre os casos positivos, os principais agentes identificados foram:
- 46,1%: vírus sincicial respiratório (VSR)
- 26,5%: influenza A
- 22,7%: rinovírus
- 7,1%: Sars-CoV-2 (Covid-19)
- 1,1%: influenza B
Na semana epidemiológica 29, os percentuais foram semelhantes, com destaque para o VSR (50,6%) e influenza A (21,2%).












