Sob o slogan “Somos 100% Brasil”, o evento reuniu entidades sindicais, movimentos sociais, representantes da sociedade civil e da comunidade universitária em repúdio à ingerência norte-americana no país
O ato realizado nesta quinta-feira (25), às 11h, na Faculdade de Direito da USP, reuniu cerca de 3 mil pessoas, segundo o Centro Acadêmico XI de Agosto, uma das entidades organizadoras do evento. A cerimônia ocorreu no salão nobre da faculdade, com transmissão simultânea para dois auditórios com capacidade para 90 lugares cada.
Estiveram presente 200 unidades de diversas vertentes, incluindo centrais sindicais, OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo), a UNE (União Nacional dos Estudantes), FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz). Participaram também Josué Gomes, presidente da FIESP; o ministro Paulo Teixeira, titular da pasta do Desenvolvimento Agrário; Aloizio Mercandante, presidente do BNDES, e os ex-ministros José Dirceu, Paulo Vanuchi, José Carlos Dias e José Eduardo Cardozo
A convocação foi feita pelo professor e diretor da Faculdade, Celso Campilongo, e pela vice-diretora, Ana Elisa Bechara. O objetivo do evento foi manifestar repúdio às ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a decisão de impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
Para Campilongo, é necessário que haja respeito às instituições e ao direito internacional. Segundo ele, a medida de Trump representa um risco não apenas à soberania brasileira, mas à ordem global.
“O que está sendo ameaçado não é apenas a soberania do Brasil, é a ordem internacional, é a ordem mundial. Hoje é conosco, amanhã sabe-se lá com quem, se cada nação não colocar um paradeiro nisto”, afirmou o diretor.
Ele destacou ainda a tradição de negociação do Brasil e defendeu serenidade e diálogo como caminho.
“É exatamente isso o que as lideranças nacionais, o governo brasileiro, o Estado brasileiro têm feito nos foros internacionais: escutar, ouvir, negociar, não sair da mesa de conversação”, ponderou Campilongo.
A deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP) reitera que o envolvimento de partidos, movimentos sociais e sociedade civil fortalece o diálogo. No entanto, demonstrou ceticismo quanto à disposição de Trump para negociar.
“Eu vejo que Trump não é uma pessoa do diálogo. Às vezes ele avança, faz ameaças, mas, quando perceber que ele, Donald Trump, também precisa do Brasil, talvez repense. Não se rompe facilmente com uma potência como os Estados Unidos. Acredito na habilidade do presidente Lula e dos demais ministros para conduzir esse processo “, afirmou a parlamentar.
Eduarda Góes, diretora geral do centenário Centro Acadêmico XI de Agosto, avaliou que as medidas adotadas por Trump não condizem com princípios democráticos. Para ela, trata-se de uma retaliação à atuação do Brasil no BRICS.
“A gente acredita que as práticas de Donald Trump não se enquadram nos pilares democráticos. Não cabe a uma nação estrangeira, ainda mais uma potência econômica, fazer ingerência em um país em desenvolvimento como o Brasil. É muito claro que essa tentativa de tarifaço ocorre logo após a reunião do BRICS “, disse a estudante.
Leia na íntegra a CARTA EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL












