Foto: Divulgação / Warner Bros.
Krypto, o supercão do longa, inspirado no pet resgatado do diretor James Gunn, emociona o público e impulsiona a procura por adoções. Voluntária da causa animal fala sobre os impactos das tendências virais na adoção de animais.
Desde que chegou aos cinemas, o novo filme Superman, dirigido por James Gunn, tem emocionado os fãs com sua abordagem sensível do herói — mas quem vem roubando a cena é Krypto, o supercão. A versão digital do mascote do Superman encantou o público e provocou uma onda inesperada: o aumento expressivo na procura por adoções de cães.
De acordo com dados do aplicativo de treinamento Woofz, as buscas no Google por “adotar um cachorro perto de mim” aumentaram 513% no fim de semana de estreia. Já as buscas por “adoção de cães resgatados perto de mim” cresceram 163%, e o interesse por “adotar um filhote” também subiu, com alta de 31%. Um dado curioso foi o aumento de 299% nas buscas por “adotar um schnauzer”, já que a aparência de Krypto remete a uma mistura da raça com um terrier.
Krypto é um vira-lata voador branco, que usa uma capa vermelha para combinar com o super-herói. Com suas atitudes indisciplinadas, o personagem não é novidade para os fãs: ele apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em 1955 e tem ajudado o Superman em diversas aventuras ao longo dos anos.
Apesar de ser uma criação em CGI, Krypto foi inspirado em um cão real chamado Ozu, adotado pelo diretor James Gunn. Ozu veio de uma situação de acumulação em um quintal onde vivia com outros 60 cães e nunca havia tido contato com seres humanos. Segundo Gunn, no começo, Ozu era um cão “problemático, para dizer o mínimo”, que chegou a destruir sapatos, móveis e até um laptop. Além disso, demorou bastante até se permitir ser tocado pelos tutores.
O diretor contou ao The New York Times que muitos movimentos do personagem no filme foram baseados em vídeos de Ozu brincando com o gato da família. “Tenho muitos vídeos deles brincando. Na verdade, quando Krypto está pulando no Superman no início do filme, tudo isso é baseado em filmagens dele com meu gato”, revelou.
O roteiro de Superman começou a ser escrito pouco antes da adoção de Ozu, e o cãozinho acabou entrando na história. Gunn lembrou nas redes sociais: “Lembro-me de pensar: ‘Nossa, como a vida seria difícil se Ozu tivesse superpoderes’ — e assim Krypto entrou no roteiro e mudou a forma da história, assim como Ozu estava mudando minha vida.” Em outra postagem, James Gunn compartilhou sua gratidão: “Esse filme tem sido uma avalanche de bênçãos para mim: e esta deve ser a maior delas. Ozu não tem ideia que isso está acontecendo. Se tivesse, ele ficaria orgulhoso.”
Krypto emociona, mas adoções não devem ser feitas por impulso
Diante do aumento nas buscas por adoções, quem atua na causa animal comemora a visibilidade, mas reforça a necessidade de responsabilidade ao adotar.
Para Nicolle Moura, protetora independente da causa animal, personagens famosos ou tendências virais “chamam bastante atenção e se espalham muito rápido”, o que pode trazer tanto benefícios quanto riscos aos animais. “ONGs e protetores têm que se virar para chamar atenção para a causa deles. Dar nomes de personagens do momento aos bichinhos é um ponto positivo, porque o engajamento costuma ser alto”, afirma.
Nicolle lembra que personagens também podem ajudar a quebrar preconceitos. Um exemplo citado por ela é a animação Flow (2025), que, segundo a NPR, influenciou diretamente no aumento de quase 20% na procura por gatos pretos para adoção — animais que historicamente sofrem rejeição por superstição.
Porém, ela faz um alerta: o risco de adoções por impulso é real. “Nem tudo são flores. Adoções baseadas em aparência ou ‘fofura’ podem gerar frustração quando as pessoas não têm noção do que é cuidar de um animal. Às vezes o ‘hype’ passa e podem perder o interesse, correndo o risco de haver negligência e até abandono do animal”, pontua.
A protetora orienta que, antes de adotar, o ideal é pesquisar sobre os cuidados necessários, a mudança na rotina, alimentação, higiene, custos e personalidade do animal. “Quem tem preferência por um tipo de personalidade pode adotar um animal adulto, pois já conhece seu histórico comportamental. Se optarem por filhote, existe o risco dele crescer com comportamentos indesejados, então precisam estar dispostos a tentar corrigi-los”, explica.
Nicolle também ressalta a importância de não desistir diante de comportamentos indesejados e buscar orientação, se necessário, com profissionais. “Caso necessário, contratar um adestrador, mas é importantíssimo deixar claro pra não abandonarem seus animais. Eles não são descartáveis. São vidas e precisam de cuidados como nós. Esses cuidados têm custo: tempo, dinheiro, atenção e dedicação.”
Por fim, ela destaca que a responsabilidade pela conscientização vai além dos filmes: “Personagens estão aí para nos divertir, têm superpoderes, voam… mas na vida real, os animais têm só uma vida. Conscientização é dever do poder público e de todos que lidam com animais, como veterinários, adestradores, petshops. Precisamos de mais campanhas, mais informação.”












