De acordo com o Ministério da Saúde, foram confirmados mais de 820 mil casos de hepatites virais no Brasil
Mais de um milhão de pessoas morreram de hepatite viral crônica no mundo. É o que afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, a organização estima que 354 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com hepatite B ou C sem diagnósticos e/ou tratamentos.
No Brasil, o cenário não é diferente. Dados do Ministério da Saúde divulgados no início de julho apontam que, entre 2000 e 2024, foram confirmados 826.292 casos de hepatites virais no país. A hepatite C foi a mais predominante, com 41,5% das notificações, seguida da hepatite B (36,6%) e da hepatite A (21,2%). Ainda segundo os dados, a distribuição regional mostra que o Nordeste concentra a maior proporção dos casos de hepatite A (29,2%), enquanto a região Sudeste lidera em infecções pelos vírus B (34%) e C (57,7%).
É neste contexto que surge o “Julho Amarelo”, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites virais. Celebrado no dia 28 de julho, o mês marca também o Dia Mundial da Luta Contra Hepatites Virais, data instituída pela OMS.
O que é a doença
A hepatite é uma inflamação do fígado, órgão do sistema digestivo responsável pela desintoxicação do organismo. Ela é geralmente causada pelos vírus A, B ou C, podendo ser aguda (de curta duração) ou crônica, persistindo por anos, com sintomas que variam de leves a graves. O avanço da infecção compromete o fígado, evoluindo para fibrose avançada ou cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer e necessidade de transplante do órgão.
No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D (mais comum na região Norte do país) e o vírus da hepatite E, sendo encontrado com maior facilidade na África e na Ásia.
Hepatite A
Com maior número de casos no Nordeste, a hepatite A pode ser transmitida através da ingestão de água e alimentos contaminados. De acordo com a médica Helena Sardenberg, infectologista intensivista e parceira da Organização Nacional de Acreditação (ONA), a hepatite A é uma doença autolimitada. “Significa que você pega a doença, fica bastante sintomático, mas o seu corpo consegue reagir e você se cura espontaneamente”.
Nem sempre há sintomas, que costumam aparecer apenas nos quadros agudos. Entre os principais estão dor abdominal, diarreia, náusea, pele e olhos amarelados e dor no corpo. O tratamento é sintomático e inclui repouso, dieta e exclusão de bebida alcoólica. Por isso, a melhor forma de prevenção é a vacinação, que é disponibilizada gratuitamente pelo SUS.

“Se você for do grupo de risco ou criança, tome a vacina. Do contrário, certifique-se de que os alimentos que você está consumindo estão bem higienizados”.
Hepatite B
A hepatite B é uma doença mais grave, também viral. Sua transmissão ocorre por meio de relações sexuais sem uso de preservativo ou pelo uso de objetos contaminados, como alicates de unha e lâminas de barbear. Esta variação apresenta tanto formas agudas, ou seja, sintomáticas, quanto crônicas. O tratamento busca controlar a doença e evitar que ela evolua para cirrose ou câncer no fígado, sendo feito com medicamentos antivirais.
De acordo com Helena Sardenberg, a doença pode evoluir para insuficiência hepática ou até para um câncer hepático e de forma silenciosa. “Você fica com a hepatite B, o vírus fica lá dentro do seu corpo por anos sem você ter nenhum sintoma e quando você descobre pode ser tarde demais”.
A vacinação é a principal forma de prevenção. No Brasil, ela começou nos 1990, o que significa que parte da população pode não ter sido imunizada. Segundo o Ministério da Saúde, o esquema vacinal prevê quatro doses para as crianças e três para os adultos. Pessoas que tenham o vírus HIV precisam de um esquema especial, com dose em dobro.
Hepatite C
Dentre todos os tipos, essa é a mais letal. Sua transmissão é semelhante a da hepatite B, ocorrendo pelo sexo desprotegido e por materiais contaminados e não esterilizados. É uma doença silenciosa, podendo evoluir para cirrose ou câncer no fígado.
Como ainda não existe vacina, o tratamento é feito com antivirais de ação direta (DAA). Esses medicamentos são administrados por via oral, geralmente por 8 a 24 semanas. O SUS disponibiliza o tratamento gratuitamente.
“Se você quiser fazer uma tatuagem ou piercing, certifique-se de que esse material é esterilizado e tenha relações sexuais com o uso de preservativo. Se você tem sintomas como esses que eu falei de fadiga, dor abdominal, coloração amarelada da pele, procure um serviço de saúde porque você pode estar com hepatite”
Prevenção ainda é o melhor remédio
No mês do Julho Amarelo, é necessário conferir o calendário de vacinação e fazer exames de rotina. Como afirma a médica Helena Sardenberg, a melhor estratégia é se prevenir através da vacinação.
“Não se esqueça, a melhor forma de prevenção é a vacinação, vacine-se para as hepatites virais e não passe por esse processo tão complexo que é uma doença como a hepatite viral”.













Um comentário
Nossa, isso deveria ser mais divulgado! 👏🏼