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Entre alianças e estratégias: Por que Israel está protegendo os drusos

Drusos: Por que Israel os protege?

Em defesa dos drusos, Israel intensifica ataques aéreos contra Damasco

Na manhã desta quarta-feira (16), Israel lançou pesados ataques aéreos contra Damasco, capital da Síria, atingindo diretamente o Ministério da Defesa. A entrada do quartel-general das forças armadas sírias também foi alvo dos bombardeios. Esta é a terceira ofensiva israelense consecutiva nos últimos três dias.

O governo israelense afirmou que pretende destruir as forças do regime sírio responsáveis por ataques a comunidades drusas no sul do país, exigindo a retirada imediata desses militares da região.

Segundo as Forças Armadas de Israel, os ataques são uma resposta direta aos confrontos entre tropas sírias e os drusos, um grupo árabe de identidade étnico religiosa presente na região.

Como começou o conflito: drusos x governo sírio

No último domingo (13), milícias drusas entraram em confronto com tribos beduínas na província de Sweida, no sul da Síria. Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), os ataques foram motivados pelo sequestro de um vendedor druso por homens beduínos armados. O governo sírio enviou tropas para conter os combates, mas os militares acabaram entrando em choque direto com as milícias drusas.

Mesmo após um acordo de trégua entre drusos e beduínos, as forças sírias mantiveram os ataques, o que gerou revolta entre a população local. Dezenas de pessoas morreram durante os confrontos entre apoiadores do governo e combatentes drusos em Sweida, levando a novas intervenções do Exército. A repressão reacendeu tensões na região e provocou a resposta de Israel, que, alegando proteger a minoria drusa, intensificou os ataques aéreos.

Novas lideranças, velhas desconfianças

O conflito acontece em meio a um cenário político já conturbado na Síria. Após a queda do ditador Bashar al-Assad, o novo presidente, Ahmed al-Sharaa, assumiu o poder prometendo um governo mais inclusivo e defensor das minorias religiosas. No entanto, milícias sunitas jihadistas ligadas à sua gestão continuam promovendo violência contra grupos como os alauítas (grupo à qual Assad pertencia) e também contra os drusos.

Um dos principais pontos de atrito entre os drusos e o novo governo é o plano de desarmamento das milícias e sua incorporação ao Exército nacional. Al-Sharaa defende a unificação das forças armadas sob o controle do Estado, mas os drusos resistem, argumentando que a desmilitarização os deixaria vulneráveis a perseguições por parte das milícias sunitas aliadas ao governo. Por isso, insistem em manter sua autonomia militar e o controle de suas próprias forças.

Apesar dos drusos terem se oposto ao antigo regime de Assad, muitos continuam desconfiados de Al-Sharaa, um líder islâmico com histórico jihadista. Eles também criticam a baixa representatividade no novo governo, que conta com apenas um ministro druso.

Quem são os drusos

Os drusos são uma minoria étnico-religiosa do Oriente Médio, formada por cerca de um milhão de pessoas. Surgida no Egito no século XI, a comunidade tem raízes no islamismo ismaelita, uma vertente do islamismo xiita. A fé drusa é conhecida por seu caráter fechado: não permite conversões nem casamentos com pessoas de fora da religião, como forma de preservar sua identidade cultural e espiritual.

Atualmente, os drusos estão concentrados principalmente na Síria, Líbano e Israel, onde defendem autonomia cultural, política e militar.

Na Síria, vivem sobretudo na província de Sweida, no sul do país. Lá, mantêm milícias locais para garantir a própria segurança diante de décadas de instabilidade e conflitos armados. A comunidade está presente em três províncias próximas às Colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel em 1967 e anexado em 1981, durante a Guerra dos Seis Dias.

Apesar da boa convivência com colonos judeus, a maioria dos drusos que vivem nas Colinas de Golã se identifica como sírios e rejeitou a cidadania israelense quando a região foi anexada. Esses drusos receberam cartões de residência permanente, mas não são considerados cidadãos israelenses.

Por quê Israel está protegendo

Na última terça-feira (15), o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que Israel está “comprometido em evitar danos aos drusos na Síria”, destacando os laços familiares e históricos com a comunidade drusa síria.

Além da conexão afetiva, a proteção aos drusos também atende a interesses estratégicos: manter a estabilidade nas Colinas de Golã e conter o avanço de grupos jihadistas nas proximidades da fronteira.

Atualmente, os drusos israelenses vivem principalmente nas regiões do Carmelo e da Galileia, no norte do país. Ao contrário de outras minorias dentro de Israel, os homens drusos são obrigados a servir no exército desde 1957. Muitos não só cumprem o serviço militar como também ocupam cargos de alta patente nas Forças Armadas, além de integrarem a polícia e os serviços de inteligência, ou seja, são cidadãos plenos, com forte presença nas estruturas do Estado.

Já na Síria, os drusos enfrentam perseguições, marginalização política e ameaças militares por parte de milícias extremistas, o que contribui para a crescente tensão na região e acende o alerta em Israel sobre a proteção desse grupo aliado.

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