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Marcelo Freixo lança livro sobre violência e política no Rio em evento no Bixiga, em São Paulo

Ex-deputado apresenta obra escrita com Bruno Paes Manso, que reúne relatos pessoais e bastidores da segurança pública fluminense

O ex-deputado federal e presidente da Embratur, Marcelo Freixo, lançou nesta quinta-feira (16), em São Paulo, o livro Viver é Perigoso — Minha Travessia do Rio, escrito em parceria com o jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso. O evento ocorreu no bairro do Bixiga e reuniu público para debate e sessão de autógrafos.

O lançamento foi realizado pela Livraria Simples e pela Editora Planeta do Brasil, em parceria com o Bar do Manoel, tradicional boteco da região central paulistana. O encontro começou por volta das 19h, com um bate-papo entre os autores, seguido por uma fila de leitores para autógrafos.

A obra apresenta um relato em primeira pessoa da trajetória de Freixo na política do Rio de Janeiro, com foco em temas como violência urbana, milícias, crime organizado e corrupção. O livro é estruturado em quatro eixos e propõe uma reflexão sobre os desafios da segurança pública no país. “Ele (livro) é na primeira pessoa. Agora, o viver é perigoso, ele pode ser entendido de forma literal, mas na verdade chama a gente para correr os desafios que a vida precisa. O que a vida só existe se a gente correr algum risco”, disse.

Freixo afirma que o livro busca aprofundar o debate sobre o cenário recente do Rio de Janeiro, sem abrir mão de uma perspectiva de transformação.

“O Rio merece um debate mais profundo sobre o que aconteceu recentemente e sobre o que eu pude viver. É um livro que acredita no Rio, mas que aprofunda um debate do que é a segurança pública”, destacou.

Além da análise política, o autor aborda episódios pessoais. Entre eles, o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, e, pela primeira vez, a morte de seu irmão, Renato Freixo. O livro também trata da CPI das Milícias e de negociações envolvendo o sistema prisional, como no presídio de Bangu 1. “Eu nunca tinha falado da morte do meu irmão como eu falei e nem da CPI das Milícias, como eu falei aqui. Então, acho que tem bastidores importantes para quem mora no Rio, conhece melhor o Rio, e para quem não mora, entender melhor o que acontece”, disse.

Parceria literária

O livro foi desenvolvido em parceria com Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e autor de obras sobre crime organizado. Segundo ele, o convite surgiu após a publicação de um de seus trabalhos sobre milícias, às vésperas das eleições de 2022 no Rio de Janeiro.

“Depois que publiquei ‘República das Milícias’ era quase uma obrigação moral ajudar no livro do Marcelo”, afirmou.

Manso destacou que o principal desafio da produção foi o tempo, devido à agenda política e às mudanças de contexto que exigiram atualizações constantes no conteúdo. “O maior problema foi o do tempo, de a gente ter que mudar algumas coisas, porque diferentes contextos tiveram novidades”, disse.

Espaço cultural no Bixiga

O Bar do Manoel, que sediou o evento, passou a investir em atividades culturais após mudanças recentes na gestão. O jornalista Sérgio Carlos Canova, com mais de 50 anos de carreira, está à frente do estabelecimento desde 2025, quando assumiu o comando após a morte do fundador, o sr. Manoel.

Segundo Canova, a parceria com a livraria ampliou a programação do espaço e ajudou a consolidá-lo como ponto de encontro cultural no bairro.

“Tivemos que nos adaptar aos novos tempos. Tivemos mais de dez lançamentos de livros aqui no bar”, disse.

Localizada na Rua Rocha, a região se consolidou como polo cultural, próxima à antiga sede da escola de samba Vai-Vai e é marcada por atividades ligadas à literatura, ao teatro e ao carnaval.

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