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Morre Bahram Beyzaie ícone do cinema iraniano aos 87 anos

Beyzaie

Diretor de Bashu, o Pequeno Estrangeiro e professor em Stanford, Beyzaie faleceu no dia de seu aniversário, 26 de dezembro, por complicações de um câncer

O cineasta e pesquisador iraniano Bahram Beyzaie morreu na última sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, em Palo Alto, Califórnia, aos 87 anos. A informação foi confirmada pela Universidade de Stanford, onde ele atuava como professor visitante há 15 anos. Reconhecido como um dos precursores da Nova Onda Iraniana, Beyzaie também se destacou como dramaturgo e estudioso da literatura persa.

Nascido em Teerã, em 1938, Beyzaie cresceu em uma família de poetas e estudiosos literários. Ao longo da carreira, publicou mais de 70 livros, monografias e peças teatrais, além de dirigir dez longas-metragens, quatro curtas e 14 peças. Sua obra dialogava constantemente com mitos ancestrais e tradições persas, buscando preservar o patrimônio cultural do Irã.

Entre seus trabalhos mais célebres está o longa “Bashu, o Pequeno Estrangeiro” (1989), considerado um marco do cinema iraniano e restaurado em 2025 no Festival de Veneza. É um filme sobre um menino do sul do Irã, Bashu, que foge da guerra Irã-Iraque e acaba no norte do país, enfrentando barreiras linguísticas e culturais; ele é acolhido por Naii, uma mulher que cria seus dois filhos sozinha, formando uma família improvável e explorando temas de humanidade, paz e conexão em meio ao trauma da guerra.

Foto: divulgação

Produções de destaque

Bahram Beyzaie dirigiu e escreveu diversas obras marcantes além de Bashu, o Pequeno Estrangeiro. Entre seus filmes e peças, destacam-se títulos que exploram mitos persas, identidade cultural e crítica social.

Ragbar (Downpour, 1972)
Um jovem professor é transferido para uma escola em um bairro pobre de Teerã. Lá, enfrenta resistência da comunidade e se envolve em um triângulo amoroso com uma jovem e seu pretendente local.

Gharibeh va Meh (The Stranger and the Fog, 1974)
Um homem misterioso chega a uma vila costeira envolta em neblina. Sem memória de sua origem, ele é acolhido pelos moradores, mas sua presença desperta tensões e segredos ocultos.

Cherike-ye Tara (Ballad of Tara, 1979)
Tara, uma jovem viúva, herda uma espada antiga. Ao tentar devolver o objeto ao seu dono legítimo, ela encontra o espírito de um guerreiro do passado, iniciando uma jornada entre o real e o mítico.

Shayad Vaghti Deegar (Maybe Another Time, 1988)
Uma mulher casada descobre que sua vida pode ter seguido caminhos diferentes. Ao confrontar lembranças e possibilidades, ela questiona identidade e destino.

Sagkoshi (Killing Mad Dogs, 2001)
Um homem retorna a Teerã após anos no exterior e descobre que sua esposa está envolvida em negócios perigosos. Ele se vê preso em uma rede de corrupção e violência.

Vaghti hame khaabim (When We Are All Asleep, 2009)
Durante a produção de um filme, conflitos entre cineastas, atores e autoridades revelam os desafios da criação artística em meio à censura e às pressões sociais.

Últimos anos e despedida

Mesmo vivendo fora do Irã, Beyzaie mantinha forte ligação com sua terra natal. Em comunicado, Stanford destacou que ele “nunca deixou de promover, proteger e preservar o patrimônio cultural do Irã”, apesar das dificuldades enfrentadas por ele e sua família.

Bahram Beyzaie faleceu no dia de seu aniversário, 26 de dezembro de 2025, vítima de complicações de um câncer. Sua morte representa a perda de uma das figuras mais influentes da cultura iraniana moderna, cuja obra continuará inspirando cineastas, dramaturgos e pesquisadores em todo o mundo.

Beyzaie deixa a esposa, a atriz iraniana Mojdeh Shamsaie, com quem se casou em 1992, e quatro filhos.

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