A pesquisa aponta que a maioria dos apostadores são homens, empregados e com filhos. Foto: rupixen na Unsplash
O estudo Impacto das Bets no Brasil 2 revela que cerca de 34% dos jovens não iniciaram uma graduação no primeiro semestre deste ano por comprometerem sua renda com apostas on-line. Conduzida pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), em parceria com o instituto de pesquisas Educa Insights, a pesquisa ainda mostra que os apostadores precisarão interromper os gastos com as chamadas bets, caso queiram ingressar na educação superior em 2026.
Os dados retratam que os gastos com apostas afetam não só a educação, mas também a saúde e a vida social. De acordo com os entrevistados, 28% já deixaram de ir a bares, restaurantes ou sair com os amigos; enquanto 24% não investiram em academias ou outras atividades físicas após a perda do dinheiro.
Foram realizadas 11.762 entrevistas, entre os dias 20 e 24 de março deste ano, em cinco estados diferentes, para chegar ao total de 2.317 respostas completas. O questionário foi aplicado em todas as classes sociais, entre jovens de 18 a 35 anos, de todas as regiões do país.
O perfil traçado dos apostadores mostra que 85% são homens, 85% estão empregados, 72% têm filhos, 79% têm como principal fonte de renda o salário do trabalho, 38% são da classe B e 40% têm entre 26 e 30 anos.

Futuro da educação superior e conclusões
Mais de 40% dos entrevistados demonstraram grande interesse em iniciar uma graduação futuramente, mas 24% acreditam que não vão conseguir no próximo semestre. Entre os que já estudam, 14% precisaram atrasar a mensalidade ou até mesmo trancar o curso por conta do hábito das apostas.
Segundo o Censo de Educação Superior 2023, estima-se que 986.779 estudantes podem ter impacto na graduação no próximo ano. Na prática, isso significa que uma grande parte dos jovens não vão conseguir se matricular em um curso de educação superior particular por perderem dinheiro com casas de aposta.
O “jogo do Tigrinho” faz parte da rotina de metade dos entrevistados, que chegam a acessar as plataformas até três vezes na mesma semana, sendo que 80% empenham até 5% da própria renda nas tentativas.
Jogos de azar
As apostas esportivas de quota fixa foram liberadas no Brasil no fim do governo de Michel Temer (MDB), em 2018, mas sem nenhuma regulamentação adequada. Na ocasião, foi estipulado um total de quatro anos para que a Lei 13.756 passasse por alterações. Porém, foi apenas em janeiro deste ano que a chamada “Lei das Bets” foi oficialmente sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A nova legislação impõe 15% de Imposto de Renda da Pessoa Física sobre o lucro líquido dos prêmios e o total arrecadado fica destinado a diversos setores, como esporte, saúde, educação e turismo. A lei ainda estabelece que 50% dos prêmios não retirados serão destinados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a outra metade ao Fundo Nacional de Calamidades Públicas, Proteção e Defesa Civil (Funcap).












