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Mulheres ocupam a Paulista e gritam “Queremos viver”

Mobilização nacional “Levante Mulheres Vivas” reuniu milhares em diversas cidades do país

Entre o vão do MASP e as calçadas da Avenida Paulista, cerca de 9,2 mil pessoas, número que chegou a 10,3 mil no pico, ocuparam os dois sentidos da pista neste domingo (7) em protesto contra o feminicídio e outras formas de violência de gênero.

O ato, convocado pelo movimento Levante Mulheres Vivas, teve como lema “Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!”. A mobilização foi inspirada por uma escalada de crimes contra mulheres em todo o país, e começou no sábado (6), na cidade de Belém (PA), marcando o início nacional dos protestos.

No ato de São Paulo, a presença não foi só feminina: homens também circularam, com cartazes e solidariedade, reafirmando a importância de que todos se posicionem contra a misoginia. Entre as participantes estavam a cantora Thalma de Freitas, a rapper e historiadora Preta Rara, a deputada federal Sâmia Bonfim, a vereadora Luna Zaratini e a influencer/comediante Lívia La Gatto, e representantes de diversos movimentos sociais.

Durante o protesto, cartazes com frases como “Parem de nos matar” e “Nenhuma a menos”, e pedidos de penas mais duras para crimes motivados por misoginia, deram visibilidade à urgência da pauta.

Ana Alecrim, entre as filhas Isabella, 11 e Heloisa, 15 – (Foto: Fábia Medeiros)

Vozes em família: mães e filhas na rua

Também estiveram presentes mulheres de diferentes idades. A professora de ensino básico Ana Alecrim, de 44 anos, compareceu ao ato acompanhada de suas filhas, Isabella (11) e Heloisa (15).

“Elas precisam começar a entender o que é brigar pelos próprios direitos. Sendo meninas, são diretamente afetadas pelo feminicídio, e estar numa manifestação ajuda a perceber a importância de lutar pelos nossos direitos e pelos dos outros.”, disse Ana Alecrim.

Isabela, aos 11 anos, celebrou a vivência: “No futuro vai ter muito menos morte. As pessoas da minha idade vão poder ser mais livres e viver sem medo de morrer.” Já Heloisa, de 15, refletiu sobre o papel da juventude: “A minha geração é a próxima a estar no poder, e por isso é importante aprender desde cedo a lutar pelo que a gente acredita.”

O ato de São Paulo superou em adesão uma manifestação pró-Jair Bolsonaro e de pedido de anistia, que concentrou cerca de 1,4 mil pessoas nas escadarias da Faculdade Cásper Líbero, com caminhada até a Catedral da Sé, no centro de São Paulo.

Para os organizadores, os números mostram um engajamento superior e uma clara prioridade social, manifestações por direitos humanos e contra a violência, em contraste com os atos de cunho político-partidário.

As manifestações tiveram adesão em pelo menos 24 estados e no Distrito Federal, em capitais e municípios, mostrando que o feminicídio e a violência de gênero são uma emergência nacional.


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