Crescimento, desafios logísticos e o impacto das compras online.
A Black Friday e o Natal deste ano prometem ser as temporadas de compras mais digitalizadas da história do varejo brasileiro. Uma nova pesquisa da Zoop, fintech as a service do iFood, revela que 89% dos consumidores já utilizam o celular para realizar pagamentos em lojas físicas, consolidando o mobile payment como um hábito majoritário e presente em todas as classes sociais (85% nas classes AB e 91% nas classes C e DE). Além de dominar as transações presenciais, o celular impulsiona as compras online, onde 92% dos entrevistados o utilizam, tendo o Pix como principal motor dessa revolução digital, conforme a Zoop projeta para as vendas de fim de ano.

Importância e Adaptação do Varejo
Para muitos, a Black Friday é um momento muito aguardado, seja por clientes ou por empresas, que veem nesta época do ano uma oportunidade de crescimento nas vendas. Como a sociedade atual vive em constante mudança, a Black Friday se torna não apenas um evento, mas uma oportunidade de adaptação e destaque no mercado.
No último ano, a Black Friday possibilitou um aumento de 2,4% nas vendas, tornando-se a quinta data de maior importância para o varejo, ficando atrás apenas do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.
A transformação do varejo é marcada por muitos fatores, e um deles é a transparência e o compromisso que o setor deve ter com os consumidores. Estes veem num momento como esse uma oportunidade de vivenciar experiências únicas, conveniência e também de ter diferentes meios de pagamento com mais segurança.
Para o mercado, a Black Friday também é um momento de aprimorar experiências diferenciadas, buscando mais maturidade – principalmente digital – e realizando diferentes testes, como a resiliência das estruturas e a capacidade das equipes. Com a mudança nos perfis do consumidor e na forma de consumir, o mercado tem se tornado mais previsível.

Projeção Econômica da CNC
Para este ano de 2025, a estimativa é de que haja a movimentação de R$ 5,4 bilhões na Black Friday, 2,4% a mais em comparação com os resultados do ano passado, conforme apontam estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Este ano, a Black Friday está marcada para a última sexta-feira do mês de novembro (28/11) e, de acordo com estimativas, deve registrar o maior volume de vendas, sendo considerada a maior edição histórica desde o ano de 2010. Sobre o cenário, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirma:
“É um momento de cautela na economia nacional, de incertezas no cenário externo e de endividamento recorde das famílias brasileiras, mas, ainda assim, veremos um incremento nas vendas.”

Para ele, os números poderiam ser maiores se as famílias não estivessem tão endividadas e inadimplentes. De acordo com o CNC, 68% das vendas na Black Friday ficarão concentradas nos três seguintes segmentos, que devem faturar muito:
- Hiper e supermercados: R$ 1,32 bilhão
- Eletroeletrônicos e utilidades domésticas: R$ 1,24 bilhão
- Móveis e eletrodomésticos: R$ 1,15 bilhão
A Ascensão do Pagamento por Aproximação e Pix
O estudo da Zoop demonstra que o brasileiro não apenas adotou a tecnologia, mas está se tornando cada vez mais autônomo em suas transações financeiras. A chave dessa transformação está na conveniência e na segurança oferecidas pelo celular:
- Pagamentos Online: Em compras pela internet, 92% dos respondentes utilizam o smartphone para finalizar a transação. O Pix se destaca como o método de pagamento preferido, superando os meios tradicionais de crédito e débito.
- Transações Presenciais: O uso do celular não se restringe ao e-commerce. Quase nove em cada dez brasileiros já pagam nas lojas físicas por meio do dispositivo, um dado que sublinha a ampla aceitação do pagamento por aproximação (contactless) e de QR Codes.

Consumidor Autônomo e a Digitalização do Vendedor
Um aspecto notável da pesquisa é o avanço da tecnologia para além do caixa tradicional, chegando diretamente às mãos de vendedores e clientes. A digitalização do varejo está capacitando o próprio consumidor e o vendedor:
- Celular como Maquininha: 52% dos brasileiros já realizaram um pagamento utilizando o celular do vendedor como um terminal POS (Point of Sale), indicando a crescente popularidade de soluções de pagamento móveis para microempreendedores e autônomos.
- Recebimento Próprio: Em uma inversão de papéis, 31% dos entrevistados afirmaram já ter usado o próprio celular para receber valores, mostrando que a ferramenta se tornou dual, servindo tanto para pagar quanto para cobrar.

Perspectiva da Zoop: Fim de Ano e o Futuro
Para a Zoop, fintech as a service do iFood, essa é uma tendência irreversível que deve ganhar ainda mais tração durante a Black Friday e o período natalino.
“O consumidor brasileiro está se tornando cada vez mais digital e autônomo nas transações financeiras,” afirma Cesario Martins, CEO da Zoop. “A velocidade e a capilaridade de meios como o Pix, combinados à conveniência do celular, vão impulsionar as vendas de fim de ano e consolidar o mobile payment como principal meio de pagamento no país”.
A projeção da empresa é que a agilidade e a democratização do acesso a esses métodos digitais não apenas facilitam a vida do consumidor, mas também ajudam a reduzir filas e a melhorar a experiência de compra em um período de alto volume no comércio.

Black Friday e o Redesenho do Varejo com Pagamentos Digitais e Mobile (Dados Adicionais)
A Black Friday de 2025 acontece em um cenário onde os pagamentos digitais e, em especial, o uso do celular, estão firmemente consolidados no Brasil, transformando o varejo de forma significativa. De acordo com uma pesquisa realizada em setembro deste ano pela Pinion para Zoop, sobre pagamentos digitais, os principais achados são:
1. Dominância do Pix e Queda do Dinheiro Físico
O Pix mantém sua posição como o método de pagamento mais utilizado e preferido pelos brasileiros, com uma adoção total de 77%. Nesse contexto de crescimento digital, o uso de dinheiro físico (42% total) perde relevância. Outros métodos amplamente utilizados incluem o cartão de débito (40% total) e o cartão de crédito (36% total).
| Meio de Pagamento | Uso Total |
| Pix | 77% |
| Dinheiro | 42% |
| Cartão de Débito | 40% |
| Cartão de Crédito | 36% |
| (Fonte: Pinion) |
Fonte: Opinion
2. Compras Online e o Protagonismo Mobile
O e-commerce é uma alavanca crucial para a Black Friday, e os brasileiros demonstram uma alta taxa de adesão às compras online (87% total). O dispositivo móvel é o grande destaque para essas transações:
- 92% dos brasileiros utilizam o celular para fazer pagamentos em compras online.
- Essa tendência é ainda mais acentuada nas classes mais baixas (Classe C com 95% e Classes DE com 92%), que têm menos acesso a computadores e veem no celular sua principal opção de compra.

Nas compras online, o Pix também é o principal método:
- 75% da população de nível socioeconômico DE utiliza o Pix.
- 69% da população AB utiliza o Pix, mas este grupo também apresenta uma alta utilização do cartão de crédito virtual (46%).
3. Celular como Maquininha: Agilidade no Ponto de Venda
A inovação no varejo físico está na adoção do celular como terminal de pagamento (Tap to Pay):
- 52% dos brasileiros já pagaram diretamente no celular do vendedor.
- 31% já utilizaram o próprio celular para receber um pagamento.
A experiência é vista de forma positiva pelos usuários, que a consideram rápida e simples (74% dos pagadores e 77% dos recebedores) e declaram que utilizariam novamente (70% dos pagadores e 77% dos recebedores). Além disso, a maioria dos usuários concorda que é mais fácil que a maquininha (65% dos pagadores e 71% dos recebedores).
4. Segurança e Confiança do Consumidor
Apesar da rápida adoção, a segurança é uma percepção que acompanha os pagamentos digitais:
- 76% dos brasileiros se sentem seguros ao realizar compras online.
- Aproximadamente 35% dos consumidores se sentem mais seguros em compras online do que em lojas físicas.
- Novas tecnologias como pagamentos por reconhecimento facial ou de voz (biométricos) seriam utilizadas por 37% dos brasileiros. Mais da metade (52% do total) considera esses meios “muito seguros”.
5. Oportunidade para Inclusão Digital
Embora os pagamentos digitais, como carteira digital e cartão virtual, atinjam até 40% da população de Nível Socioeconômico AB, eles ainda atingem apenas um décimo da população de nível mais baixo (DE).
As principais barreiras para a entrada nos pagamentos digitais, como cartão virtual ou carteira digital, são distribuídas de forma relativamente igual entre os diferentes níveis socioeconômicos, destacando que a falta de interesse, o não conhecimento suficiente, a dúvida sobre “como usar”, a falta de confiança e o não acesso são desafios importantes, mas que não dependem apenas da classe social.
Análise do Especialista: O Impacto da Black Friday Além das Vendas
O artigo e a pesquisa Pinion/Zoop destacam que o celular está amplamente enraizado como meio de transação no dia a dia, e o desafio é ampliar o entendimento sobre as vantagens de agilidade, conveniência e praticidade dos meios digitais para fortalecer seu potencial de crescimento em todas as classes sociais.
Para aprofundar a análise sobre o impacto desse evento no mercado, convidamos o administrador e jornalista Diego Prazeres.
1. Impacto Macroeconômico e o Foco do Investidor
O evento gera uma injeção de liquidez no mercado, com muitos consumidores adiantando as compras de Natal. No entanto, o impacto em indicadores massivos é limitado, pois eles levam em conta números anuais.
- PIB e Indicadores Massivos: O impacto em indicadores como o PIB não é significativo, pois a Black Friday representa um momento de antecipação de consumo, não alterando drasticamente o panorama anual.
- Inflação: O único indicador que pode ser momentaneamente observado é a inflação, já que a alteração na oferta e demanda pelas compras da Black Friday pode influenciá-la.
- Mercado de Ações: O preço das ações é determinado por fatores internos e setoriais. Contudo, podem ocorrer alterações expressivas de alta ou baixa (“sinistros”) que duram horas ou poucos dias, o que, para o investidor, pode representar oportunidades pontuais de compra e venda.

2. Logística Omnichannel e o Desafio da Operação
A Black Friday exige que as empresas aprimorem a logística e a gestão da cadeia de suprimentos (supply chain), principalmente em um contexto omnichannel.
- “Operações de Guerrilha”: Embora a alteração nos fatores internos de produção e suprimento no Brasil não seja tão expressiva quanto nos EUA (onde o evento se originou), o aumento das vendas exige que o varejo realize “operações de guerrilha” para dar conta da alta demanda, algo comum em outras datas de pico (Natal, Dia das Mães, etc.).

3. Gestão de Pessoas e o CHA da Contratação Temporária
O evento exige um pico de produtividade e, frequentemente, a contratação de mão de obra temporária, antecipando o movimento natural de fim de ano. O especialista destaca o desafio para a retenção e engajamento:
- Dica para o Candidato: O indivíduo que busca uma oportunidade temporária deve demonstrar Conhecimentos, Habilidades e Atitudes (CHA), o que aumenta consideravelmente a chance de efetivação.
- Atenção do Contratante: A empresa deve estar atenta a funcionários com vantagens competitivas, percebendo se a proatividade é uma característica enraizada ou um esforço momentâneo. Muitas empresas usam essa época para “mexer” na equipe, tornando colaboradores temporários promissores bem visados.

4. Transparência e Combate às Fake News
Para garantir a transparência das ofertas e proteger a reputação da marca em um ambiente digital saturado, o profissional de Comunicação e Jornalismo deve focar em duas palavras-chave:
- Antecipação: O consumidor deve pesquisar os preços dos produtos e serviços desejados com meses de antecedência. Isso evita ser vítima de “maquiagem de descontos”, verificando se os preços promocionais são verídicos.
- Indicação e Credibilidade: É fundamental buscar lojas, empresas e locais comerciais que possuam história e credibilidade. Sites de opinião e reclamação, além de profissionais da comunicação de credibilidade, são fontes confiáveis para a tomada de decisão.

5. Inovações de Pagamento e Vantagem Competitiva
O cenário de pagamentos está em constante evolução, mas as inovações como o Pix parcelado, BNPL (Buy Now Pay Later) ou criptomoedas ainda possuem adoção regionalizada no Brasil, com impacto macroeconômico limitado.
- Influência Interna: As formas de pagamento influenciam as políticas internas dos estabelecimentos (ex: descontos para modalidades à vista como dinheiro, débito e Pix).
- Vantagem Competitiva: No geral, ter uma gama maior de recebimentos nessa época aquecida do ano traz vantagem competitiva e maior lucratividade individual para as empresas, sem influenciar significativamente os cenários macroeconômicos.












