Edição histórica apresenta dados sobre violência doméstica, percepção social e violência digital no ano em que o instituto completa duas décadas.
A edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher será lançada nesta quinta-feira (27), às 14h, no Plenário do Senado, em um marco que celebra os 20 anos do Instituto DataSenado.
O estudo, considerado o maior e mais longo levantamento contínuo sobre violência doméstica e familiar no país, reúne dados coletados entre 16 de maio e 8 de julho de 2025, com entrevistas por telefone realizadas com 21,6 mil mulheres de 16 anos ou mais em todos os estados.
Levantamento integra marco de 20 anos do DataSenado

A nova edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher integra as atividades que celebram as duas décadas do Instituto DataSenado.
O estudo apresenta indicadores que detalham a dimensão da violência doméstica no Brasil. Segundo os dados, mais de 3,7 milhões de mulheres sofreram um ou mais episódios de agressão nos últimos 12 meses.
A presença de testemunhas foi registrada em 71% dos casos, e 70% delas eram crianças, geralmente filhas das vítimas. O dado reforça a repetição de episódios presenciados dentro das casas.
O levantamento evoluiu ao longo do tempo. A edição de 2025 separa dois blocos principais: a percepção da violência pelas entrevistadas e a violência vivida diretamente.
A ampliação inclui indicadores de vivência, presença de testemunhas, violência digital e impacto das agressões, além de recortes que incluem mulheres trans e mulheres com deficiência.
Violência digital atinge 10% das entrevistadas
Um dos destaques desta edição é a violência digital, que atingiu 10% das brasileiras com 16 anos ou mais. As situações relatadas incluem mensagens ofensivas e ameaçadoras enviadas repetidamente, invasão de contas e disseminação de mentiras nas redes sociais.
A prática de chantagem com uso de imagens íntimas apresentou alta. O índice dobrou de 1% em 2023 para 2% em 2025. O tema ganha espaço na Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, acompanhando a evolução das formas de agressão.
Três abordagens para mensurar a violência

A edição especial da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher reúne três formas de mensurar a violência doméstica e familiar.
A primeira é a violência declarada na vida, registrada quando a entrevistada responde “sim” à pergunta direta sobre ter sofrido agressões ao longo da vida. Esse índice passou de 34% em 2023 para 33% em 2025.
Enquanto a segunda é a violência declarada nos últimos 12 meses, que considera relatos de episódios ocorridos no último ano e caiu de 7% para 4% no período.
Já a terceira é a violência vivida nos últimos 12 meses, que avalia 19 situações específicas de agressão, como insultos, humilhações e ameaças. Nesse conjunto, 33% relataram ao menos uma forma de violência, mesmo sem identificar o episódio como agressão.
Persistência de ciclos de violência
A pesquisa indica a continuidade dos ciclos de violência doméstica. Entre as entrevistadas agredidas nos últimos 12 meses, 58% sofrem violência há mais de um ano. Além disso, 38% relatam ter enfrentado a primeira agressão antes dos 20 anos.
Os dados reforçam a necessidade de políticas permanentes, e a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher segue como referência na compreensão desse cenário.
Percepção de aumento da violência e do machismo

A percepção de que a violência contra mulheres aumentou cresceu entre as entrevistadas. Em 2025, 79% afirmaram acreditar na alta das agressões, cinco pontos percentuais acima de 2023.
O percentual das que consideram o Brasil “muito machista” passou de 62% para 70% no mesmo período.
Busca por ajuda e medidas protetivas
A reação das vítimas mostra diferentes caminhos para buscar apoio. Entre as que sofreram violência nos últimos 12 meses, 57% procuraram a família. A igreja foi buscada por 53%.
Uma Delegacia da Mulher foi acionada por 28%. Já o telefone 180 foi utilizado por 11%. Apenas 5% não procuraram nenhuma forma de auxílio.
Sobre medidas protetivas:
- 20% afirmam que a medida foi cumprida;
- 17% relatam descumprimento;
- 62% não solicitaram medida.
Metodologia consolidada do DataSenado
A metodologia segue o padrão adotado pelo Instituto DataSenado ao longo de seus 20 anos.
As entrevistas foram realizadas por telefone, conduzidas por mulheres treinadas e com garantia de sigilo às participantes. O questionário, mantido nas edições anteriores, assegura a comparabilidade da série histórica. A margem média de erro é de 0,69 ponto percentual.
Marco institucional e impacto histórico

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher faz parte do conjunto de estudos produzidos pelo instituto ao longo de seus 20 anos. A primeira edição da pesquisa, realizada em 2005 e 2007, teve resultados utilizados como insumo para a elaboração da Lei Maria da Penha.
Desde 2004, o instituto ouviu mais de 4 milhões de cidadãos sobre temas como segurança pública, meio ambiente, juventude negra e reforma política, consolidando seu papel no monitoramento da opinião pública.
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