- Mercado fraco cria cicatrizes econômicas que podem acompanhar esses jovens por décadas.
- US$ 12 bilhões são perdidos anualmente porque a Geração Z consome menos ao viver com os pais.
- Desemprego juvenil supera largamente a média nacional e limita mobilidade e renda.
A Geração Z está gastando menos e consumindo menos e isso não é apenas um sintoma social, mas um problema econômico relevante. Segundo a Oxford Economics, o atraso na entrada desse grupo no mercado de trabalho e a permanência prolongada na casa dos pais já provocam um rombo anual de US$ 12 bilhões em itens básicos como moradia, alimentação e transporte.
O estudo aponta que o mercado de trabalho fraco, a desaceleração das contratações e o custo elevado de moradia criam cicatrizes econômicas duradouras entre jovens de 13 a 28 anos. Além de afetar seus salários e seu potencial de ganho, esse cenário pressiona outros setores da economia ao reduzir o consumo estrutural dessa faixa etária.
Mercado travado limita renda e bloqueia independência
De acordo com o relatório, a taxa de contratação nos EUA caiu para 3,2%, ritmo semelhante ao registrado durante a pandemia. Com menos oportunidades, jovens que tentam seu primeiro emprego enfrentam um mercado mais difícil, enquanto trabalhadores recém-contratados têm pouca mobilidade para buscar salários maiores. A economista Grace Zwemmer afirma que a ausência desse ciclo natural de ascensão pode prejudicar toda a trajetória salarial da geração.
O desemprego entre jovens também cresceu de forma desproporcional. Enquanto a taxa geral está próxima de 4%, jovens entre 16 e 19 anos enfrentam cerca de 14%, e aqueles entre 19 e 24 anos ficam próximos de 9%. Esses números revelam como a desaceleração impacta principalmente os menos experientes, que acabam sendo os primeiros dispensados quando o mercado esfria.
Além disso, um mercado apertado reduz a chance de trocar de emprego para obter aumentos salariais, processo que historicamente impulsiona o crescimento de renda no início da carreira. O estudo mostra que o aumento de salários entre jovens caiu mais rápido do que em qualquer outra faixa etária, refletindo a falta de mobilidade.
Geração “canguru” custa bilhões
A dificuldade de avançar profissionalmente mantém os jovens na casa dos pais por mais tempo e isso tem impacto direto no consumo. A Oxford Economics estima que 1 milhão a mais de jovens entre 22 e 28 anos continuam morando com a família em relação ao período pré-pandemia. Com menos gastos, o consumo anual cai em US$ 12 bilhões, afetando de forma significativa diversos segmentos.

Itens essenciais como aluguel, alimentação, transporte e serviços domésticos são os mais prejudicados. O relatório reforça que, quando os jovens adiam a independência, deixam de movimentar setores que tradicionalmente crescem junto com a entrada dessa faixa da população na vida adulta.
O comportamento atual da Geração Z repete, em parte, o que aconteceu com os millennials durante a Grande Recessão. Entre 2008 e 2011, a proporção de jovens adultos vivendo com os pais passou de 27% para 32%. Mesmo assim, os millennials recuperaram terreno e, hoje, 55% possuem casa própria, apesar dos preços elevados. O desafio para a geração mais nova, porém, é que o mercado atual oferece menos oportunidades do que aquele enfrentado pelos jovens da década passada.
Economia piora e consumo enfraquece
A percepção negativa sobre as condições de trabalho está ampliando a cautela da Geração Z. Segundo Zwemmer, o sentimento de insegurança financeira provoca retração ainda maior dos gastos. Jovens que não conseguem se inserir no mercado tendem a evitar compras, poupar mais e adiar decisões importantes, como mudar de cidade ou montar sua própria casa.
Esse comportamento cria um ciclo difícil de quebrar: com menos consumo, determinados setores desaceleram; com o mercado mais lento, as oportunidades para jovens diminuem; e, com isso, o pessimismo aumenta. A economista alerta que essa dinâmica pode deixar marcas ao longo de toda a vida profissional dessa geração.
No curto prazo, a solução passa por um reaquecimento do mercado de trabalho, que ainda não dá sinais de força suficiente. Até lá, a combinação entre salários fracos, moradia cara e baixa mobilidade deve continuar pressionando a capacidade de consumo dos mais jovens.













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