Home / Esporte / De boca fechada e coração cheio: o Flu que ninguém esperava

De boca fechada e coração cheio: o Flu que ninguém esperava

créditos: Marcelo Gonçalves | @marcelogoncalves.photo

Na semifinal do Mundial de Clubes, o Fluminense carrega a fé tricolor e a desconfiança nacional.

O brasileiro passou um mês fazendo o que ninguém imaginaria: torcendo para rival nacional e argentino. A gente queria mesmo transformar o Mundial em Libertadores. Não rolou, mas teve time brasileiro passando de fase, chegando longe, e meio que, sem perceber, a torcida foi se arrastando. Porém, é chegada a hora da decisão. Existem dois caminhos. Afinal, agora, com o Fluminense podendo cravar uma mão na taça, o torcedor ainda vai querer o bem do seu rival brasileiro?

Fluminense esse que, em janeiro, pelo grandíssimo Campeonato Carioca, perdia para o Volta Redonda. Hoje, enfrenta hoje o Chelsea pela semifinal da Copa do Mundo de Clubes, com chances claras de vitória. Apesar do incontestável craque — e gelado — Palmer, o time inglês não conta com atuações tão luxuosas no atual campeonato. Já para um time tricolor aí, que mal incomodava no Brasileirão, o cenário mais se parece com um sonho. Para quem vê de fora, eles deram sorte de cair nas chaves certas, que têm como grande diferencial a genialidade de Renato Gaúcho, quiçá meia dúzia de jogadores inspirado.

Já para o torcedor tricolor, Arias é uma mistura bem feita de Renato Gaúcho com Rivellino. Fábio deixaria Cláudio Taffarel no banco se jogassem na mesma época — agradecem, em espírito e verdade, ao Cruzeiro todos os dias. É como ver o nascimento de uma lenda urbana. O tricolor tem fé, acredita no poder da amizade e está levando cada fase muito a sério, sem deixar de se divertir em nenhuma delas. Se passar, amém; se ficar, amém também. A diversão levou o tricolor das Laranjeiras até aqui. Ele foi ficando e rindo dos rivais nacionais, que todos diziam ter mais pompa, mais time, e que, mesmo após caírem, tinham a cara de pau de secar, dizendo que iriam esperar para que voltassem todos juntos ao RJ. Covardes morreram abraçados!

E foi assim que, apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, o Flu comeu quietinho como mineiro. Quando foi se dar conta, está numa semifinal — assim como quem não quer nada, assim como se Mundial fosse Taça Guanabara. Como bom brasileiro, está deixando para resolver no último minuto se foi para disputar ou para compor elenco na competição. Vivendo sob a tutela de Cartola, é um time que quer assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr e ouvir os pássaros cantar. Está pronto para nascer — e, mais ainda, para viver o dia 8 de julho de 2025.

Créditos imagem: Marcelo Gonçalves | @marcelogoncalves.photo

Marcado:

3 Comentários

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *