Spaghetti con Pesto e Gamberi. Foto/ Reprodução: Mamma Jamma/ Derek Mangabeira
Uma jornada pelas origens, memórias e sabores que fazem do macarrão muito mais do que uma refeição: um gesto de amor
Alguns pratos são mais do que comida. São memórias, afeto e identidade servidos à mesa. O macarrão é um desses casos. Ele viaja no tempo e no espaço, une culturas, desperta lembranças e carrega consigo uma simplicidade que encanta. Poucos alimentos representam tão bem a ideia de partilha quanto um prato de massa fumegante, servido com carinho, entre conversas e risadas.
O Dia Mundial do Macarrão, celebrado em 25 de outubro, é a homenagem perfeita a esse alimento que conquistou o mundo. A data foi instituída em 1995, durante o Primeiro Congresso Mundial da Pasta, em Roma, reunindo produtores e chefs que queriam exaltar a importância cultural da massa na gastronomia global. Desde então, o dia se tornou uma celebração internacional, lembrando que, mais do que um prato, o macarrão é um símbolo de acolhimento, prazer e união.
Um fio de história que atravessa continentes
A origem do macarrão é antiga e está cercada de mistérios. Pesquisas arqueológicas indicam que os chineses já produziam uma versão rudimentar há mais de quatro mil anos, usando grãos de painço e água. Outras fontes apontam para os árabes e sicilianos como precursores do alimento, com registros datados do século XII.
A versão mais difundida, porém, associa o retorno de Marco Polo da China, no século XIII, à chegada da massa na Itália. Verdade ou lenda, o fato é que foi o povo italiano que transformou o macarrão em arte, espalhando suas receitas e seus rituais pelo mundo.
Da Emilia-Romagna, com seus tagliatelles e lasanhas, à Sicília, terra dos rigatonis e dos molhos intensos, cada região da Itália tem seu sotaque e sua técnica. A massa se tornou o fio condutor de uma cultura baseada no prazer de comer e no valor de compartilhar.
Quando chegou ao Brasil, trazida pelos imigrantes italianos no final do século XIX, o macarrão rapidamente encontrou um novo lar. Misturou-se ao paladar brasileiro, ganhou novos temperos, ganhou novos temperos e se tornou presença constante nas mesas de domingo. Hoje, ele é um elo afetivo entre gerações e um símbolo de união à mesa.
São Paulo e sua devoção às massas
Cosmopolita, diversa e apaixonada por comida, a capital paulista é um verdadeiro paraíso para quem ama massas. Da cantina tradicional à cozinha autoral, há sempre um prato que desperta emoção e aquece o coração.
Comer uma boa massa em São Paulo é uma experiência quase obrigatória. A cidade, conhecida por sua pluralidade gastronômica, oferece opções que vão do clássico italiano aos menus contemporâneos que reinventam o conceito de comfort food. Mais do que um prato, a massa é um gesto de conforto e celebração. Ela está presente nos almoços de família, nos encontros entre amigos e até nas pausas estratégicas de quem busca um momento de prazer no meio da rotina.
Para celebrar o Dia do Macarrão, destacamos seis restaurantes que unem tradição, criatividade e afeto à mesa.
1. Nino Cucina & Vino

Foto: Reprodução/Nino Cucina
Um dos endereços mais charmosos do Itaim, o Nino Cucina & Vino tem cardápio sob o comando do chef Marco Renzetti, que imprime personalidade sem abrir mão da tradição italiana. O ambiente acolhedor e sofisticado remete às típicas casas de Roma, onde o tempo parece desacelerar para dar lugar ao prazer da mesa.
Duas opções se destacam entre os amantes da massa artesanal: o Tonnarelli Grossi all’Amatriciana (R$ 78), feito com semolina de trigo duro italiano, molho de tomate, guanciale e queijo, e o Tonnarelli alla Carbonara (R$ 75), preparado com gema de ovo, queijo pecorino e pimenta-do-reino moída na hora. Pratos que são uma verdadeira homenagem à cozinha romana, com autenticidade e sabor impecável.
O sucesso do Nino ultrapassou as fronteiras paulistanas e hoje a marca está presente também no Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia e Belo Horizonte, levando a essência da cozinha italiana a diferentes cantos do país, sempre com o mesmo cuidado, sabor e hospitalidade.
Local: Rua Jerônimo da Veiga, 30 – Jardim Europa
Instagram: @ninocucina
2. Enosteria

Foto: Reprodução/Enosteria
A Enosteria Vino e Cucina, do Grupo La Pastina, é uma verdadeira celebração dos sabores autênticos da Itália. O restaurante segue as tradições da região da Púglia, no sul do país, representando com fidelidade a herança de uma família que carrega a gastronomia italiana em sua essência.
O ambiente combina elegância e aconchego, convidando à permanência. Cada prato é elaborado com ingredientes frescos e o cuidado artesanal que marca a verdadeira cucina italiana. Entre os destaques, o Orecchiette alle Cime di Rape (R$ 69) é preparado com friarielli, linguiça artesanal e pimenta pecorino, traduzindo em sabor a alma do sul da Itália. Outra pedida que encanta é o Ravioli di Brie con Marmellata di Fichi (R$ 89), uma combinação delicada de brie e geleia de figos, perfeita para quem busca experiências gastronômicas sofisticadas e cheias de personalidade.
Para quem deseja explorar outros sabores, o Entrecôte Al Vino Rosso é uma das criações mais marcantes do menu. O prato traz o entrecôte grelhado ao molho de vinho tinto com ervas crocantes, acompanhado de spaghettini na manteiga e sálvia, finalizado com legumes e farofa crocante de pão. Um prato que une textura, aroma e intensidade em perfeita harmonia.
A primeira unidade, localizada na Vila Nova Conceição, conta com uma charmosa loja de vinhos World Wine, onde o cliente pode escolher rótulos diretamente das prateleiras, que reúnem um acervo com mais de 2.000 opções. Já a nova unidade, na Rua Oscar Freire, fica dentro da Casa La Pastina, um espaço que une empório, café, padaria, rotisseria e sorveteria, além de uma seleção exclusiva de vinhos La Pastina, ideal para os apaixonados pela enogastronomia.
Local: Rua Jacques Félix, 626A – Vila Nova Conceição
Instagram: @enosteriasp
3. Mamma Jamma Campinas

Foto: Reprodução/Mamma Jamma
Com origem no Rio de Janeiro, a Mamma Jamma conquistou os paulistas com seu modo afetuoso de traduzir a tradição italiana. A unidade de Campinas, localizada no Parque D. Pedro Shopping, é um convite a uma experiência de sabor, afeto e acolhimento.
O ambiente, elegante e descontraído, remete às típicas trattorias familiares, com luz suave, aromas envolventes e o calor humano que faz da Mamma um verdadeiro refúgio gastronômico. O cardápio equilibra conforto e sofisticação, com massas preparadas artesanalmente a partir de farinha italiana tipo “zero zero”, azeite extravirgem e ingredientes selecionados que garantem textura delicada e sabor autêntico.
Entre os pratos mais queridos, o Spaghetti ai Gamberi (R$ 74,50) traz camarões suculentos, tomate cereja, fonduta de parmesão, vinho branco e raspas de limão siciliano em uma combinação fresca e equilibrada. Já o Spaghetti alla Carbonara (R$ 59,50) é preparado com bacon, parmesão, gema de ovo e pimenta-do-reino, mantendo viva a essência da receita clássica romana. Outra excelente pedida é o Paillard con Fettuccine (R$ 69,50), que une o filé mignon grelhado ao fettuccine envolto em fonduta de parmesão, manteiga e sálvia, resultando em um prato de sabor intenso e textura impecável.
Tudo é servido com a hospitalidade calorosa e o espírito de famiglia italiana que fazem da Mamma Jamma um dos endereços mais queridos de Campinas um lugar onde o sabor e o afeto se encontram em cada prato.
Local: Av. Guilherme Campos, 500 – Parque D. Pedro Shopping, Campinas
Instagram: @mammapizzeria
4. YVÁ Gastronomia

Foto: Reprodução/YVÁ Gastronomia
No coração de Moema, o YVÁ Gastronomia é um encontro entre tradição, contemporaneidade e afeto. O nome, que em tupi-guarani significa terra, solo, origem da vida e dos alimentos, traduz a essência da casa: uma cozinha que honra o passado e celebra o presente, unindo raízes e inovação em cada receita.
Criado pelo chef Fábio dos Santos, o YVÁ combina ingredientes frescos, técnicas refinadas e uma sensibilidade gastronômica que transforma cada prato em experiência. Durante a semana, o restaurante oferece um menu executivo especialmente elaborado para o almoço, com entrada, prato principal e sobremesa, a partir de R$ 48 por pessoa. As opções mudam diariamente, apresentando pratos clássicos e sugestões criativas do chef, sempre com o cuidado de tornar a pausa do meio do dia um momento prazeroso e cheio de sabor.
Entre as estrelas do cardápio, o Linguine Negro (R$ 152) se destaca pela combinação de elegância e intensidade. Preparado com massa de tinta de lula, é salteado com lagostim à provençal flambado no vinho branco, resultando em um prato aromático, sofisticado e inesquecível.
O ambiente é moderno e acolhedor, com detalhes que remetem à natureza e à arte brasileira. A carta de drinques autorais, assinada por Marcelo Prantoni, complementa a experiência com leveza e originalidade, tornando o YVÁ um espaço onde cada refeição é uma celebração da boa mesa e da vida.
Local: Av. Ibirapuera, 2927 – Moema
Instagram: @yva.gastronomia
5. Santo Colomba

Foto: Reprodução/Santo Colomba
Há 30 anos sob o comando do chef José Alencar, o Santo Colomba é um verdadeiro ícone da gastronomia italiana em São Paulo. Localizado nos Jardins, o restaurante combina tradição, elegância e autenticidade em um ambiente que parece suspenso no tempo. O salão clássico, iluminado por detalhes de madeira e vidro, convida a uma viagem pela história. Parte dessa história está no bar inglês que hoje compõe o espaço, trazido do antigo Jockey Club do Rio de Janeiro, uma relíquia artesanal construída com madeiras de lei, vitrais belgas e azulejos franceses.
Durante essas três décadas de trajetória, o Santo Colomba acumula prêmios, menções honrosas e, acima de tudo, o carinho e a fidelidade de seus clientes. Cada detalhe do serviço, da música ambiente à gentileza do atendimento, preserva o charme e o requinte que marcaram a casa desde sua fundação.
Entre as massas artesanais, o Trenette ao molho pomodoro e manjericão (R$ 96) é leve e perfumado, enquanto o Ravióli de burrata (R$ 98) se destaca pela textura delicada e pelo equilíbrio entre cremosidade e frescor. Para quem busca um prato robusto, o Arroz caldoso de pato (R$ 152), preparado à moda portuguesa na panela de barro com azeite, linguiça e cebolinha, é uma experiência que desperta os sentidos.
O nome Santo Colomba carrega uma história curiosa. Nascido em 521, na Irlanda, São Columba foi um monge beneditino que fundou diversos conventos e é lembrado até hoje como o patrono dos pubs e dos bons bebedores. A lenda conta que sua alma abençoava destilarias, transformando o processo de fabricação do whisky em um verdadeiro milagre. Foi em sua homenagem que nasceu o primeiro Bar Santo Colomba, e com ele o espírito acolhedor que, décadas depois, daria origem ao restaurante que hoje encanta São Paulo.
Mais do que um lugar para comer bem, o Santo Colomba é um espaço de memória, arte e celebração. Um refúgio para os que apreciam o sabor da tradição e o prazer das boas histórias.
6. Josefa no Paraíso

Foto: Reprodução/Josefa no Paraíso
Sob o comando das chefs Bel Crozera e Taina Maia, o Josefa no Paraíso é um refúgio gastronômico que combina aconchego, sabor e uma profunda valorização dos ingredientes frescos e feitos à mão. Em um ambiente que equilibra leveza e elegância, o restaurante convida o público a desacelerar e viver a experiência da boa mesa em seu tempo.
A cozinha do Josefa é marcada pela autenticidade e pelo cuidado artesanal em cada detalhe. Entre os pratos mais celebrados, o Fettuccine Carbonara (R$ 79) é preparado com massa fresca produzida diariamente na casa e um cremoso molho de ovos e parmesão, que preserva a essência da verdadeira culinária italiana. O resultado é um prato equilibrado, intenso e ao mesmo tempo delicado, que traduz o encontro perfeito entre técnica, tradição e afeto.
O serviço atencioso, o aroma convidativo e a atmosfera acolhedora tornam o Josefa no Paraíso um daqueles lugares que conquistam não apenas pelo paladar, mas pela experiência completa. É o tipo de restaurante que desperta memórias, cria histórias e faz do ato de comer um gesto de amor.
Local: Rua Afonso de Freitas, 642 – Paraíso
Instagram: @josefanoparaiso
Mais do que massa, uma herança de afeto
O macarrão é mais do que um alimento. É um fio invisível que une culturas e pessoas. Ele sobreviveu a impérios, cruzou oceanos e se reinventou inúmeras vezes, sem jamais perder o seu propósito: reunir.
Cada prato conta uma história. Há quem veja nele a simplicidade, há quem veja arte. Para muitos, ele é memória, lembrança de infância, de uma mesa cheia, de um cheiro de alho e azeite que invade a casa e o coração.
O Dia do Macarrão é, acima de tudo, uma celebração do afeto. É o lembrete de que a comida é uma forma de amor, e que um prato de massa pode curar cansaços, encurtar distâncias e reacender alegrias.
Em São Paulo, onde a gastronomia é um idioma e a diversidade é a regra, o macarrão é rei. E não importa o formato, spaghetti, penne, rigatoni, tagliatelle ou o bom e icônico fusilli, o que conta é o gesto. O de servir, o de partilhar, o de celebrar o sabor que atravessa séculos e continua a nos unir.
Porque, no fim, o que alimenta mesmo é o encontro.
E disso o macarrão entende como ninguém.










