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Desvendando Transtornos Alimentares: O Impacto Psicológico e Físico nas Vítimas

Desvendando Transtornos Alimentares

A imagem que você tem de si mesmo não é herdada ou geneticamente determinada, é aprendida”, esse é um trecho do livro “Apaixone-se por si mesmo” do psicólogo Walter Riso. Transtornos alimentares “são dificuldades em relação à alimentação que causam sofrimento e um prejuízo significativo na vida”, de acordo com a psicóloga Vitória Guimarães, formada pela Universidade Católica de Pernambuco. Mulheres são as principais vítimas, e estima-se que mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo sejam impactadas por algum desses transtornos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria. Bulimia, anorexia e compulsão alimentar são os mais conhecidos, podendo acompanhar comorbidades como ansiedade e depressão.

Luiza, nome fictício para preservar a identidade da vítima, tem 19 anos e desenvolveu problemas com a comida desde a infância, marcada por episódios de compulsão e restrição alimentar. Ela cresceu em meio a coreografias e apresentações em uma escola de dança. A pressão estética na área artística não é novidade, Luiza tinha seu corpo comparado constantemente e via o quanto pessoas magras conseguiam coreografias especiais, o carinho e atenção dos professores.

Em casa, as confraternizações eram marcadas por boa comida, como é de costume nas famílias brasileiras, e regado a comentários como “saco sem fundo” ou “você vai acabar ficando obesa igual ao seu pai”. Luiza acabou enxergando a comida como grande vilã e associando sua forma física à aprovação na dança, seus maiores momentos lá estavam ligados aos piores internamente. Mesmo em tratamento psiquiátrico e terapêutico, ela reflete “acho que nunca mais vou comer da maneira que eu comia antes. Não em quantidade eu digo, mas comer sem pensar em caloria ou o quanto terei que fazer de exercício para compensar, ou simplesmente comer sem pensar em nada”.

Luiza sofre com a bulimia, ou seja, tem comportamentos compensatórios como a purgação após ingerir alimentos e se mantém no peso normal, não podendo ser confundido com a anorexia, onde as vítimas comem pouco ou quase nada, costumando chegar à desnutrição, identificada através do Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo da média, com uma característica perfeccionista quando se trata do que está comendo.

Os episódios de purgação, restrição e compulsão podem trazer problemas consideráveis à saúde, como fala a nutricionista Bianca Moura, “quando você restringe a alimentação, a primeira fonte que irá perder não é gordura, são os músculos. Precisamos dos músculos para levantar, caminhar, correr..”, em caso de vômitos provocados, o excesso de suco gástrico passando pelo esôfago é preocupante, assim como o excesso de gordura acumulada nos órgãos em casos de compulsão alimentar.

Quando devo me preocupar?

Comer deve ser algo natural, junto com a ciência que nutrientes e exercícios físicos são essenciais para a saúde. Um corpo saudável jamais será de apenas um formato ou tamanho, corpo padrão não deve existir. Se você sofre a cada refeição, sente que precisa compensar as calorias que ingeriu ou perde o controle consumindo sem parar, mesmo após a saciedade plena, seguido de um sentimento de culpa e vergonha, procure ajuda psicológica. Tome cuidado com dietas milagrosas, uma alimentação saudável é composta de variedade de frutas, verduras, legumes, mas também não há problema em ingerir alimentos considerados “não saudáveis” com moderação.

Como é o diagnóstico e o tratamento de transtornos alimentares?

Os sintomas dos transtornos alimentares geralmente são percebidos pela própria pessoa ou por quem está ao redor, precisando de avaliação psicológica, psiquiátrica e nutricional. “Quando a gente fala de dependência química, a pessoa que tem problemas com drogas ou álcool não precisa dessas substâncias para viver, já quando falamos da comida, é difícil pois é essencial para sobrevivência.”, essa é uma fala da Psicóloga Vitória Guimarães, tratar de transtorno alimentar é um trabalho em equipe, além de terapia pode precisar de intervenção medicamentosa e do acompanhamento com nutricionista para uma reeducação alimentar.

Se você se identifica com qualquer sintoma, procure ajuda:

  • CVV (Centro de Valorização da Vida): atendimento gratuito, sigiloso e 24h. Ligue 188 ou acesse cvv.org.br
  • CAPS da sua cidade (Centro de Atenção Psicossocial)
  • Upas e postinhos de saúde também podem te atender em momentos de crises

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