Medidas ampliam acesso a tratamentos e reduzem desigualdades na rede pública
O Ministério da Saúde reforça políticas de saúde da mulher no Brasil, com ações focadas no tratamento e no diagnóstico do câncer de mama. As medidas incluem a incorporação do trastuzumabe entansina (T-DM1) ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a ampliação da faixa etária para o acesso à mamografia, que agora passa a ser recomendada para mulheres a partir de 40 anos.
As iniciativas buscam reduzir as desigualdades e garantir o acesso a terapias eficazes na rede pública.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre mulheres e também a principal causa de morte por neoplasia no público feminino, representando 16,1% dos óbitos oncológicos no país. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 73.610 novos casos da doença por ano até 2025, o equivalente a 41,89 casos por 100 mil mulheres.
O oncologista Dr. Daniel Mussi, membro das sociedades brasileira, americana e europeia de oncologia clínica, explica que o novo medicamento representa um avanço decisivo no tratamento do câncer de mama HER2 positivo, um dos tipos mais agressivos da doença.
“O trastuzumabe entansina atua através da conjugação do anticorpo com um quimioterápico na mesma molécula. O anticorpo facilita a entrada na célula e libera a quimioterapia diretamente no alvo. Essa tecnologia aumenta a eficácia do tratamento e reduz efeitos colaterais. Em estudos, o uso dessa medicação reduziu em até 50% a mortalidade e aumentou as chances de cura em pacientes que não responderam à quimioterapia inicial”, explica o médico.
A inclusão do medicamento ao SUS é considerada um passo importante na redução das desigualdades entre o sistema público e o privado, ampliando o acesso a terapias de alta complexidade e fortalecendo a equidade no tratamento do câncer de mama no país.
“A privação desses pacientes desse tratamento pode comprometer suas chances de cura. Estamos, sem dúvida, testemunhando uma nova fase no tratamento do câncer de mama no Brasil, e isso é motivo de grande satisfação”, complementa Dr. Mussi.

Mamografia a partir dos 40 anos
O Ministério da Saúde também passou a recomendar a mamografia para mulheres a partir dos 40 a 49 anos, medida alinhada às diretrizes internacionais de rastreamento precoce. Segundo estimativa, cerca de 23% dos casos de câncer de mama no país ocorrem nessa faixa etária, com tumores frequentemente mais agressivos e de crescimento mais rápido.
Em 2024, o SUS realizou 4 milhões de exames de rastreamento mamográfico, além de 376,7 mil exames diagnósticos. A expectativa é que a ampliação da faixa etária amplie o número de diagnósticos precoces.
A medida busca identificar o câncer ainda em estágios iniciais, aumentando as chances de tratamento bem sucedido e reduzindo a mortalidade. O exame poderá ser feito sob demanda mesmo sem sintomas, em decisão com o profissional de saúde.
Mortalidade por câncer de mama expõe desigualdades
Um Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (Vol. 56, nº 15, de outubro de 2025) revela que, entre 2010 e 2024, 248 mil mulheres morreram de câncer de mama no Brasil, sendo dois terços em idade considerada prematura (30 a 69 anos).
O levantamento também mostrou um aumento mais acentuado entre mulheres pardas e indígenas, cujas taxas praticamente triplicaram no período. Embora mulheres brancas apresentam as maiores taxas absolutas, o crescimento proporcional dos outros grupos revela uma disparidade histórica no acesso à saúde, desde o rastreamento preventivo até o diagnóstico e o início do tratamento.
Para reduzir essa disparidade, o Ministério da Saúde anunciou medidas complementares, como a expansão do rastreamento organizado, a distribuição do autoteste de HPV DNA e o fortalecimento da atenção primária.
As ações se alinham às metas da OMS para 2030, que incluem vacinar 90% das meninas contra HPV até os 15 anos e rastrear 70% das mulheres aos 35 e 45 anos.












