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Festival Cine.Ema recebe mais de 494 filmes de 25 estados brasileiros

Pessoa assiste à projeção do Festival Cine.Ema, com tela iluminada e endereço do site cineema.com.br ao fundo.

Evento capixaba celebra a produção audiovisual independente e destaca temas ambientais, sociais e culturais em mais de 104 horas de exibição

Com mais de 494 filmes inscritos de 25 estados brasileiros e do Distrito Federal, o 11º Festival Nacional de Cinema Ambiental do Espírito Santo (Cine.Ema) reforça sua posição como um dos principais espaços de difusão do audiovisual independente no país. A programação reúne produções que exploram temas ambientais, sociais e culturais em diferentes linguagens e formatos.

As produções somam mais de 104 horas de exibição, valorizando a criação cinematográfica nacional. A edição deste ano apresenta obras que vão do documentário à ficção científica, com narrativas que transitam entre o real e o imaginário — sempre com um olhar atento às transformações sociais e ambientais do país.

O evento conta com patrocínio do Grupo Águia Branca e da Suzano, além do apoio da Reserva Ambiental Águia Branca, Unimed Sul Capixaba, Prefeitura de Aracruz e TVE Espírito Santo. A realização é da Caju Produções e do Ministério da Cultura – Governo Federal, por meio da Lei Rouanet.

Espírito Santo tem dois filmes selecionados

O estado anfitrião inscreveu 29 produções e emplacou duas na mostra oficial. Entre elas está o documentário Nascida com a manhã, de João Giry, que homenageia sua avó Lúcia, mulher que há mais de 40 anos dedica a vida ao cuidado do filho José Leandro, pessoa com deficiência neurodivergente.

“Minha avó é o pilar da minha família, uma guia espiritual”, conta Giry. “A produção é intimista — eu apenas observava, deixava a câmera registrar o cotidiano sem interferir.”

Os destaques do Festival Cine.Ema

Dos 25 estados, São Paulo lidera o ranking com 92 filmes enviados. Destes, dois foram selecionados: o documentário Minha câmera é minha flecha, de Natália Tupi, e a ficção Passa a bola, de Guilherme Herrera Falchi.

Minha câmera é minha flecha acompanha o jovem comunicador indígena do povo Guarani Mbya, Richard Wera Mirim, e retrata a câmera como uma “flecha” na luta por visibilidade e resistência indígena. Já Passa a bola, selecionado para a mostra infantil Cine.Eminha, conta a história de Mira e Renata, duas irmãs que vivem em conflito, enquanto Mira enfrenta o preconceito para jogar futebol com os meninos da rua.

Jovens participantes do Cine.Eminha, mostra infantil do Festival Cine.Ema, durante oficina de leitura e criação de roteiros. Foto: Divulgação/Cine.Ema

Ficções e distopias do Rio de Janeiro também se destacam

O Rio de Janeiro inscreveu 50 filmes e garantiu duas produções na disputa: Reciclos e O incrível mundo de Tan Tan.

Em Reciclos, uma metrópole futurista latino-americana serve de cenário para uma reflexão sobre desigualdade e sobrevivência, com catadores empobrecidos em longas filas de reciclagem automatizada. Já O incrível mundo de Tan Tan, de Danilo Calegari Manzella, traz a jornada de Arthur, um menino que descobre um universo mágico dentro de seu túnel de brinquedo — uma aventura sobre amizade, consumismo e o uso excessivo da tecnologia.

Pernambuco leva ficção, documentário e experimentação

Entre os destaques, Pernambuco concorre com quatro produções. Uma delas é Feme In The Machine, dirigido por Valderiza Pereira, que mistura realismo e fantasia ao narrar a rotina de costureiras de Toritama sob o olhar de Feme, uma extraterrestre invocada à beira do Rio Capibaribe. O filme reflete sobre identidade e o valor do trabalho em meio à poluição e às contradições da “capital do jeans”.

“Quando uma dor existe e não existe remédio para ela, a gente cria uma profecia para buscar a cura”, explica a diretora, que também é costureira. “Feme In The Machine nasce da tragédia, mas também da vontade de trazer conforto sobre quem somos.”

Outro destaque pernambucano é Sertão 2138, de Deuilton Junior, já premiado em outros festivais. Inspirado na ficção científica, o filme retrata uma cientista que recebe uma missão misteriosa em uma terra distópica. “Quis trazer o protagonismo negro e explorar o Sertão como cenário futurista”, comenta o diretor.

Votação aberta até 13 de outubro

Toda a programação do Festival Cine.Ema está disponível gratuitamente no site, onde o público pode assistir aos filmes e votar em seus favoritos até o dia 13 de outubro.

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