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Acessibilidade dentro de casa: como adaptar imóveis para envelhecer com segurança

Pessoa em cadeira de rodas sobre piso azul com símbolo de acessibilidade, representando a importância de adaptar espaços para pessoas com mobilidade reduzida.

Com o aumento de idosos que moram sozinhos, cresce a preocupação com residências sem estrutura adequada. Acessibilidade deixa de ser um detalhe e passa a ser sinônimo de autonomia e qualidade de vida

Aos 80 anos, dona Mara* mora sozinha em sua casa no Jardim Toscana, em Guarulhos. Mesmo com a mobilidade reduzida e com as escadas, ela não pretende sair de onde está. Assim como Mara, muitos brasileiros vivem em casas ou apartamentos que não foram planejados com acessibilidade. Diante das mudanças de vida da população, o conceito deixa de ser apenas técnico e passa a ser um requisito essencial para viver bem.

A população brasileira vem envelhecendo rapidamente. Segundo o IBGE, mais de 5 milhões de pessoas com mais de 60 anos moram sozinhas — muitas delas em imóveis com escadas, banheiros sem apoio e pisos escorregadios. Apesar dos riscos diários, essas situações poderiam ser evitadas com pequenos ajustes estruturais.

A falta de acessibilidade não afeta apenas idosos. Pessoas com deficiência física, mental e crianças com condições especiais também enfrentam barreiras dentro de casa. A Lei nº 13.146/2015, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, e a Norma Técnica ABNT NBR 9050:2020 definem os critérios de acessibilidade em edificações, mobiliários e espaços urbanos — exigindo que a adaptação comece ainda na fase de projeto.

Critérios para imóveis acessíveis

De acordo com a legislação, a acessibilidade deve ser prevista desde o planejamento. Em condomínios e prédios, é obrigatório oferecer unidades adaptadas ou adaptáveis para diferentes necessidades. Entre as principais medidas estão:

  • Rampas e elevadores com dimensões adequadas;
  • Portas e corredores largos;
  • Banheiros acessíveis;
  • Vagas de estacionamento reservadas;
  • Sinalização tátil e visual.
Pessoa em cadeira de rodas sobre piso azul com símbolo de acessibilidade, representando a importância de adaptar espaços para pessoas com mobilidade reduzida.
Imóveis e áreas públicas acessíveis garantem autonomia e segurança para pessoas com deficiência e idosos. Foto: Reprodução/iStock

Pensar acessibilidade é pensar no futuro

Para Ana Paula Caramico, gerente de Incorporação da BRN Construtora, especialista em empreendimentos residenciais de grande porte no interior paulista, pensar acessibilidade é pensar no futuro.

“Um imóvel bem planejado precisa ser inclusivo e adaptável. A vida muda, as famílias mudam, e a casa deve acompanhar essas transformações, oferecendo conforto e autonomia em todas as fases”, afirma.

Segundo ela, há detalhes muitas vezes invisíveis, mas que fazem toda a diferença no dia a dia. Corredores largos e portas amplas facilitam a circulação de cadeiras de rodas, carrinhos de bebê e o transporte de móveis. Pisos nivelados reduzem o risco de quedas — tanto para idosos quanto para crianças.

Acessibilidade e tendências do mercado

O Residencial Acapulco, em Araraquara (SP), um dos empreendimentos mais recentes da BRN, traz o conceito de acessibilidade desde o projeto inicial. O condomínio conta com rotas acessíveis em toda a área comum, rampas, corrimãos, sinalização adequada e banheiros adaptados no salão de festas.

Além da infraestrutura física, o projeto considera o aspecto social, promovendo a convivência entre diferentes gerações em praças de lazer, espaços de coworking, brinquedoteca e áreas destinadas a pets.

“Não se trata apenas de cumprir normas, mas de criar ambientes onde cada integrante da família — dos avós às crianças — encontre algo pensado para si”, explica Ana Paula.

Para a especialista, planejar acessibilidade é também uma forma de valorizar o imóvel a longo prazo.

“Mesmo que hoje não haja necessidade de adaptações específicas, um apartamento acessível garante autonomia no futuro e acompanha o envelhecimento da população. É uma escolha inteligente tanto para morar quanto para investir”, conclui.

*Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada.

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