Desgaste da cartilagem atinge, principalmente, idosos
Está difícil de agachar, calçar os sapatos ou apenas sair do carro? Sintomas que começam na redução da mobilidade em atividades simples do dia a dia podem indicar situação mais grave.
A Osteoartrite do Quadril, ou Artrose do Quadril, atinge cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil, segundo pesquisa realizada em 2022 pela Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ). Estima-se que 1 a cada 4 pessoas acima dos 60 anos apresente algum grau da doença, justamente por conta do desgaste natural e progressivo da cartilagem da articulação do quadril.
Lucas Amaral, ortopedista e traumatologista, comenta que o diagnóstico precoce evita anos de dor e limitação funcional, incentivando idosos a realizarem exames regulares: “Ajuda a reduzir o estigma de que dor no quadril é ‘normal da idade’, um pensamento ainda muito comum entre as pessoas. A conscientização permite intervenções conservadoras antes da necessidade de cirurgia”.
Outro aspecto a ser considerado é o impacto socioeconômico do tratamento nos recursos financeiros destinados ao serviço público de saúde. Entre 2012 e 2021, foram realizadas mais de 250 mil cirurgias de artroplastia total no país, com investimento do Ministério da Saúde de R$154,9 milhões na fabricação de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção somente no primeiro semestre de 2020.
Sintomas
Dor na região da virilha ou glútea, piorando ao andar, ficar sentado por muito tempo ou deitar sobre o lado dolorido são os principais sintomas da artrose. Em fases mais avançadas, pode limitar e enrijecer o movimento, com dificuldade em cruzar as pernas ou amarrar o cadarço. “Nesses casos, a conduta deve ser procurar uma avaliação com ortopedista. Também é preciso realizar exames de imagem e iniciar medidas não cirúrgicas de forma precoce”, indica Lucas.
Prevenção
A principal recomendação é praticar atividade física regularmente e evitar impactos excessivos, já que uma musculatura forte contribui para proteger e reforçar as articulações. Outro ponto é o controle do peso corporal, uma vez que a obesidade – além de traumas, sobrecarga e microlesões esportivas –, são fatores de risco a serem considerados no desenvolvimento da artrose.
Lucas aconselha, também, o acompanhamento médico periódico, principalmente em pacientes com histórico familiar, para facilitar a identificação de doenças associadas, como displasia de quadril, osteoporose e diabetes.
Tratamento
Os tratamentos ocorrem por estágio.
Quando o paciente apresenta sinais leves, como dor esporádica e incômodo nas juntas, a sugestão é atividade física supervisionada para o fortalecimento de quadril e abdome, controle de peso e fisioterapia, além do uso de analgésicos quando necessário.
Já nos casos em que o paciente está no estágio intermediário, com quadros de dor mais frequentes, limitação moderada, é necessário realizar injeções com ácido hialurônico a fim de aliviar dor e inflamação. Programas estruturados de reabilitação e o uso de bengalas, em casos selecionados.
A cirurgia de artroplastia total do quadril, que substitui o quadril lesionado por uma prótese, é recomendado em último caso apenas, quando a dor e a rigidez são intensas, perda de mobilidade cada vez mais presente. Para o ortopedista Lucas, a cirurgia acaba por “devolver qualidade de vida e independência” ao paciente.












