O estudo inédito do Instituto Marielle Franco mostrou que 77 episódios de violência política envolvem ameaças de morte contra lideranças políticas negras e periféricas
Nesta quarta-feira (27), o Instituto lançou a pesquisa inédita “Regime de ameaça: a violência política de gênero e raça no âmbito digital (2025)”, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. O levantamento traz dados alarmantes sobre a violência política contra mulheres negras e LGBTQIAPN+ no Brasil. Além disso, aponta que a internet tem sido um dos principais instrumentos usados de forma sistemática para ameaças e intimidações contra lideranças femininas.
Feita em parceria com organizações como Justiça Global, Terra de Direitos, Instituto Alziras, Portal AzMina, Vote LGBT e InternetLab, a pesquisa foi apresentada durante a Semana do Contexto da Desigualdade, promovida pelo Pacto Nacional de Combate às Desigualdades e pelo Observatório Nacional da Mulher na Política – na mesma semana em que a Lei 14.192, voltada à violência política de gênero, completou quatro anos.
Durante o lançamento, a diretora do Instituto, Luyara Franco, e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, fizeram declarações que destacam a gravidade da situação e reforçam a importância do combate à violência política contra mulheres.
Dados sobre ameaças e intimidações
Entre junho de 2021 e julho de 2025, o Instituto analisou 77 episódios de violência política digital e identificou fatores comuns entre as vítimas: mulheres negras (cis, trans ou travestis), periféricas, LGBTQIAPN+, defensoras de direitos humanos e que atuam como candidatas, parlamentares ou ocupam cargos no Executivo.

As informações confirmam que o feminicídio político da vereadora Marielle Franco é frequentemente usado pelos agressores como forma de intimidação e afastamento das lideranças.
Entre os casos analisados, as ameaças de morte aparecem como uma das situações mais graves, representando 71% dos registros. Desses, 64% são de morte e 31% de estupro. A maior parte acontece nas redes sociais da Meta (Instagram e Facebook), Twitter/X e também por e-mails institucionais.
Os impactos das ameaças
A violência política traz impactos profundos para as lideranças, como afastamento de mandatos, exílio político, danos à saúde mental e o reforço da exclusão histórica de mulheres negras, periféricas e LGBTQIAPN+ da política.
“Esses casos não são isolados. O objetivo é muito claro: expulsar essas mulheres da política, minar a democracia e reafirmar estruturas de poder que nos oprimem há séculos. É doloroso ver que 63% das ameaças evocam diretamente o assassinato da minha mãe, Marielle Franco. Mas seguimos de pé, por ela e por todas”, declarou Luyara Franco.

Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, reforçou que a pesquisa mostra a real dimensão da violência política no país.
“Estamos falando de ameaças que tentam impedir mulheres negras e LGBTQIA+ de chegar e permanecer na política. Só eu, como ministra, já recebi quase 5 mil ameaças de morte. Esses números não podem ser naturalizados. Precisamos enfrentá-los com firmeza e construir um futuro político que acolha e proteja nossos corpos”, afirmou.
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