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“Lucífugo” coloca o leitor dentro da mente do monstro em nova obra de Oscar Nestarez

Em novo romance, autor reflete sobre o mal, a violência de gênero e a natureza sombria da humanidade

O escritor Oscar Nestarez, conhecido por explorar os limites entre o horror e a psicologia, leva o leitor ao núcleo mais sombrio da mente humana: a consciência de um assassino através do seu novo livro, Lucífugo. A obra segue a perspectiva expressa pelo escritor, filósofo e ensaísta francês do século XX, Georges Bataille: “O mal é o verdadeiro tema da literatura”, e já está em pré-venda no site da AVEC Editora.

O título do livro, Lucífugo (aquele que foge da luz) traduz a filosofia e a visão de mundo do narrador. “A percepção que ele tem das mulheres e a influência do avô o afastam de qualquer tipo de luz. Mas, em sua cabeça, é o contrário: ele acredita estar trazendo as entidades das sombras para a luz, para eliminá-las”, explica o autor.

Na obra, Nestarez faz com que o próprio monstro narre sua história, e convida o público a ocupar o lugar do vilão. “A literatura nos permite explorar tensões e complexidades como nenhuma outra linguagem”, observa o Nestarez.

Capa do livro. Imagem: Divulgação

Obra retrata violência de gênero

O protagonista de Lucífugo é um homem anônimo e contemporâneo, cuja mente distorcida ecoa figuras históricas como Elisabeth Bathory e Gilles de Rais. Ao descrever sua jornada de sexo e violência, o autor aborda um tema perturbador e atual: a misoginia.

“Me interessa entender o que pode levar alguém a querer eliminar outro ser humano só porque o enxerga como uma ameaça. A literatura é o encontro com o outro e aqui esse outro é o monstruoso. Quis explorar isso no campo da violência de gênero, que é estrutural no nosso país”, afirma.

Apesar da densidade do tema, Nestarez enxerga beleza na escuridão. Para ele, o horror é um território de criação e liberdade. “Esses mergulhos no lodo são o que há de mais interessante na escrita. É uma jornada segura rumo ao coração negro da maldade, e foi, por mais estranho que pareça, revigorante.”

Narrativa como escolha determinante

O autor explica a importância da escolha da narrativa em primeira pessoa para a mostrar ao leitor a compreensão do personagem principal de sua visão sobre si mesmo: “Queria que o próprio monstro desse sua perspectiva da história, com as suas palavras e reflexões. Ele compreende, de certa maneira, a própria natureza nociva e isso o leva à queda.”

Premiado pela Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (ABERST) por Bile Negra, e pela Odisseia de Literatura Fantástica por Claroscuro, Oscar Nestarez volta a afirmar seu domínio sobre a literatura sombria. Seu novo livro propõe a seguinte visão: olhar o mal de frente, ouvir sua voz e, talvez, reconhecer nele um espelho distorcido da própria humanidade.

Escritor, tradutor e pesquisador especializado em literatura de horror, Oscar Nestarez. Imagem: Divulgação

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