Plano de paz dos EUA enfrenta resistência de Netanyahu, pressionado pela comunidade internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta segunda-feira (29) o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca. A reunião acontece dias após a apresentação de uma proposta americana que visa encerrar a guerra na Faixa de Gaza e garantir a libertação de reféns israelenses em poder do Hamas. A proposta, que foi debatida nos bastidores da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), foi descrita por Trump como uma “oportunidade real de alcançar algo grandioso no Oriente Médio”. O presidente também afirmou ter recebido sinalizações positivas de líderes israelenses e árabes em relação ao plano.
“Temos uma oportunidade real de alcançar algo grandioso no Oriente Médio. Todos a bordo para algo especial, pela primeira vez. Vamos conseguir!”, publicou Trump, no Truth Social, neste domingo (28).
Isolamento diplomático aumenta pressão sobre Israel
Netanyahu chega a Washington em um momento de crescente isolamento. Hoje, 145 dos 193 Estados-membros da ONU já reconhecem a independência palestina, incluindo o Brasil, França, Reino Unido, Canadá e Austrália. Além disso, o discurso do primeiro-ministro durante a Assembleia Geral da ONU, onde prometeu “terminar o trabalho” em Gaza, foi mal recebido pela comunidade internacional. Na Assembleia, Netanyahu falou para cadeiras vazias, pois as delegações de diversos países deixaram o plenário assim que o primeiro-ministro iniciou seu discurso.
Analistas apontam que Trump é um dos poucos aliados influentes que Netanyahu ainda mantém. Segundo a especialista em relações Israel-EUA na Universidade Bar-llan, para o G1, “não há outra opção senão aceitar o plano”, dado o cenário diplomático atual. Protestos em Israel também aumentam a pressão: milhares de cidadãos têm exigido um cessar-fogo imediato e a libertação dos reféns, cobrando uma solução política urgente.

Resistência israelense pode travar acordo
Apesar do entusiasmo de Trump, o primeiro-ministro israelense adota uma postura mais cautelosa. Em entrevista à Fox News, Netanyahu afirmou que o plano ainda não está finalizado e que seu governo está trabalhando nos ajustes necessários. Fontes do gabinete do premiê indicam que ele não aceitará integralmente os termos propostos por Washington, especialmente os trechos que envolvem o papel da Autoridade Palestina na futura administração de Gaza e a menção a um eventual Estado palestino.
A situação interna de Netanyahu torna o processo ainda mais delicado. Além dos protestos nas ruas israelenses pelo fim da guerra, o primeiro-ministro também enfrenta divergências no apoio de partidos de extrema-direita ao seu governo. Seus aliados já se manifestaram contra qualquer concessão que envolva o reconhecimento da Autoridade Palestina ou o encerramento da ofensiva militar antes da eliminação do Hamas. Esse ambiente político turbulento limita a margem de manobra do premiê e pode comprometer a viabilidade do acordo proposto pelos Estados Unidos, mesmo com apoio externo.
O que propõe o plano de paz dos Estados Unidos?
A proposta de Washington prevê um cessar-fogo permanente na Faixa de Gaza, a libertação de todos os reféns israelenses, a retirada das tropas israelenses do território e a criação de uma nova estrutura administrativa no enclave, sem a presença do Hamas. O plano, com 21 pontos, inclui ainda uma força de segurança composta por unidades palestinas treinadas, com apoio de países árabes e muçulmanos.
Um dos pontos mais polêmicos envolve a participação da Autoridade Palestina na futura governança de Gaza, algo que enfrenta resistência tanto de Netanyahu quanto de seus aliados mais conservadores. O retorno da Autoridade ao território, governado pelo Hamas desde 2007, exigiria reformas internas profundas e um processo de transição que pode demorar para se consolidar.
O Hamas, por sua vez, declarou não ter recebido nenhuma proposta de cessar-fogo até o momento, mas afirmou estar disposto a considerar “quaisquer propostas” apresentadas por mediadores regionais, desde que os direitos do povo palestino sejam respeitados.
Com informações da AFP, CNN, G1 e RFI.












