Oscilações de humor, insegurança e até arrependimento podem surgir na gestação. Especialista explica o que é esperado e quando buscar ajuda profissional.
Grávida da primeira filha com o cantor Nattan, a influenciadora Rafa Kalimann desabafou nas redes sociais sobre os desafios emocionais do início da gestação. “Meus primeiros meses não foram muito produtivos, foram desafiadores com as mudanças da gravidez…”, contou.
A fala viralizou e gerou identificação entre mulheres que compartilharam sentimentos parecidos: alegria misturada a tristeza, insegurança e cansaço. Mas até que ponto esse turbilhão de emoções é esperado?
Mudanças emocionais fazem parte do início da gestação
Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, altos e baixos são comuns nos primeiros meses e não devem ser confundidos, de imediato, com um transtorno mental.
“O corpo muda muito rápido, mas a barriga ainda não aparece, o bebê ainda não se mexe, e a mulher muitas vezes nem se sente grávida de verdade”, explica. Esse período pode trazer desânimo, fadiga e dificuldade de produtividade, ainda que a gestação seja desejada.
Autoestima e imagem corporal em transformação
As alterações físicas também impactam a saúde emocional. “Se a mulher já tinha uma relação delicada com o corpo, mudanças como inchaço, estrias e ganho de peso podem gerar incômodo e sofrimento emocional”, observa a especialista.
Ambivalência: entre alegria e arrependimento
Medo, culpa, arrependimento e até raiva da situação podem aparecer. Isso não significa rejeição ao bebê, mas sim a ambivalência, nome dado à presença de sentimentos opostos ao mesmo tempo.
“O problema não está nos sentimentos em si, mas no fato de a sociedade não oferecer espaço para que eles sejam expressos sem julgamento”, afirma Rafaela.
Quando é hora de procurar ajuda?
Apesar de serem comuns, essas emoções precisam de acompanhamento. Se os sintomas forem intensos, durarem mais de duas semanas ou prejudicarem o vínculo com o bebê, o sono e a rotina, é importante procurar apoio psicológico.
Desde 2023, a saúde mental materna faz parte da legislação brasileira, com a Lei 14.721, que garante atendimento psicológico e psiquiátrico a gestantes e puérperas pelo SUS e pela rede privada.
“A gestação é um período de risco para transtornos como ansiedade e depressão. Quanto antes houver acompanhamento psicológico, maiores as chances de atravessar essa fase com equilíbrio e segurança emocional”, reforça a psicóloga.
Quem é Rafaela Schiavo?
Psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline, Rafaela Schiavo é referência em saúde mental materna no Brasil. Graduada, mestre e doutora pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), realizou pós-doutorado na área de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem.
Autora de centenas de trabalhos científicos, atua para reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais em gestantes e puérperas no país.
O início da gravidez é uma fase de intensas mudanças físicas e emocionais. Entender que sentimentos ambivalentes fazem parte do processo é essencial, mas buscar ajuda profissional diante de sinais persistentes pode garantir uma maternidade mais saudável e acolhedora.












