É o retorno do colosso nacional! Tem saudade, raiva e um amor que só o futebol nacional consegue provocar.

Quem não estava com saudade só pode ser maluco. O nosso Brasileirão é aquele parente ou amigo que pode até ser chato, que com certeza tem uma pilha de defeitos, mas que só a gente pode falar mal — e, quando não está presente… faz uma falta danada.
As más línguas daqueles que viajaram dirão que só sente saudade do campeonato nacional quem ficou no país, porque não havia muito o que fazer além de assistir sem torcer verdadeiramente, não digo que não haja um fundo de verdade na afirmação; contudo, isso a gente ignora. Até porque os lances mais engraçados, as brigas mais caóticas e os erros grotescos de treinadores, atletas e arbitragem a gente só vê em solo nacional. Até a Copa de 2014, com o 7×1, parece que foi melhor só porque foi no Brasil.
É claro que o Mundial de Clubes teve seus momentos formidáveis. Afinal, não é todo dia que se vê o Botafogo ganhar do campeão da Champions League, e nem o Manchester City perder para o Al Hilal. Toda essa maluquice futebolística ainda é pouco perto do que o Brasileirão proporciona, não vejo exagero ao afirmar que ainda há muito arroz com feijão a ser comido pelo resto do mundo para decifrar a paixão que sentimos pelo que fazemos dentro desse mapa gigantesco que chamamos de país.
E a realidade? O torcedor está com saudade até da normalidade
Torcer para time estrangeiro ganhar do rival pode ser legal, mas não chega aos pés de sentir uma raiva colossal do seu próprio lateral-esquerdo. O sentimentalismo de mostrar a força do futebol sul-americano acabou, e, como diria Vicentão em O Auto da Compadecida, agora:
— Todo dia é dia de ter raiva!
Vale pontuar, fazemos nosso campeonato à base de raiva. Pergunte a qualquer aficionado qual o sentimento que o time ou o futebol desperta com mais força nele, e ele responderá sem hesitar: “raiva”. E nesses tapas e beijos, a gente vai amando o time e odiando tanta ladainha que acontece no entorno. Vai amando o estádio e odiando a revista truculenta na entrada. A gente ama, ama e ama, na mesma medida que odeia, odeia e odeia. Faz parte da essência — e entenda, não é um incentivo à violência, é um retrato social. Tudo que fazemos por aqui leva ódio na receita: trabalhar, estudar, viver nesse país. E, ainda assim, é maravilhoso como conseguimos usar o inimaginável como combustível.
Por fim, deixo a reflexão que diversos provérbios já levantaram, a saudade faz a gente ver coisas que nunca existiram e amar o que odiávamos naquilo ou naquele que não podemos mais ter. Pois bem, talvez seja isso que o Campeonato Brasileiro desperte na gente. Ou mais: talvez seja o futebol brasileiro, na totalidade de campeonatos regionais e sul-americanos, seleção ou time do coração. Sentimos uma saudade — e um orgulho — danado no estrangeiro, mas, quando está perto, só causa dano… ou melhor, raiva!
Acabaram as férias para os que não foram. E voltou a realidade dura e cruel para quem foi viver o sonho americano. Estamos todos aqui, cheios de expectativas falsas a serem quebradas.
Bora reviver esse Brasileirão!











