A nova campanha da American Eagle estrelada por Sydney Sweeney, atriz conhecida por seus papéis em Euphoria e The White Lotus, gerou intensa repercussão nas redes sociais e veículos internacionais após o lançamento de uma peça publicitária com o slogan “Sydney Sweeney Has Great Genes”. A frase, com duplo sentido entre “genes” (genética) e “jeans” (calça jeans), provocou uma onda de críticas que levantaram questões sobre padrões de beleza, objetificação feminina e até referências implícitas à eugenia.
Inicialmente, a campanha foi divulgada com outdoors em Nova York e Las Vegas exibindo apenas a frase “Sydney Sweeney Has Great Genes”, sem qualquer menção direta a calças ou à marca. Apenas horas depois, os anúncios foram revelados em sua totalidade, com imagens da atriz usando peças da nova coleção outono-inverno da American Eagle e a troca sutil de “genes” para “jeans”. A estratégia visava surpreender o público com um trocadilho provocador, gerando viralização espontânea e engajamento.
No entanto, o plano publicitário rapidamente saiu do controle. Usuários nas redes sociais questionaram o uso da palavra “genes” para descrever uma mulher branca, loira e de olhos claros, enxergando nisso uma possível exaltação de características físicas tradicionalmente associadas à supremacia estética branca. Embora a frase tenha um tom leve e ambíguo, para muitos ela evocou simbolismos mais profundos e controversos. Plataformas como o Reddit e o X (antigo Twitter) concentraram os principais debates, com postagens viralizadas apontando que a escolha de Sydney Sweeney e a linguagem do slogan reforçariam ideais elitistas e eurocêntricos.
Sydney Sweeney não se pronunciou diretamente sobre as críticas. Em suas redes, limitou-se a compartilhar o vídeo da campanha com a legenda “Born to wear denim”. Já a American Eagle, em entrevista ao site AdWeek, defendeu o tom da campanha, afirmando que buscava celebrar “confiança, autenticidade e estilo com humor e leveza”.
Mesmo com as intenções declaradas de leveza e irreverência, a campanha levanta uma questão relevante sobre os limites do marketing provocativo em tempos de hipersensibilidade cultural. O trocadilho funcionou como isca para a atenção, mas também escancarou a rapidez com que uma frase publicitária pode ser reinterpretada diante de contextos sociais e históricos complexos.
No fim, a American Eagle conquistou o que buscava: engajamento, visibilidade e aumento de vendas. Mas o custo simbólico de flertar com mensagens ambíguas segue em debate e coloca em evidência os desafios de comunicar com humor em um cenário onde as palavras, mesmo as mais simples, carregam muito mais do que aparentam.
Imagens: American Eagle.











