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Superman: o que muda entre a versão de Zack Snyder e o novo herói de James Gunn?

Novo filme do Superman estreia dia 10 de julho nos cinemas brasileiros

Com a estreia do novo filme Superman, o personagem mais icônico dos quadrinhos volta aos cinemas com uma nova abordagem. Escrito e dirigido por James Gunn, o longa marca o início oficial do novo universo compartilhado da DC (o DCEU), que busca recomeçar com um tom diferente daquele que vimos na era Zack Snyder.

Mas o que realmente mudou? Como é esse novo Clark Kent? E por que essa transição representa mais do que uma troca de diretor?

Um novo começo para o herói

O novo Superman, estrelado por David Corenswet, é o primeiro passo do plano de reconstrução da DC nos cinemas. Depois de anos com filmes fragmentados e um universo que nunca se consolidou totalmente, o estúdio (com nova presidência de James Gunn e Peter Safran) aposta agora em uma visão mais coesa e leve. E o Superman foi o personagem escolhido como o ponto de partida.

A proposta declarada dos CEOs da DC é resgatar o ideal clássico do herói, que vem principalmente dos quadrinhos: um símbolo de esperança, empatia, gentileza e humanidade. A ideia tem um contraste bem forte com a leitura feita por Zack Snyder na última década, e por isso o comparativo entre os dois estilos é inevitável.

O Superman de Zack Snyder: sombrio e endeusado

Henry Cavill como Superman | Imagem: Reprodução

O diretor Zack Snyder apresentou sua versão do Superman em O Homem de Aço (2013), e a desenvolveu em Batman vs Superman (2016) e na Liga da Justiça (2021, especialmente no Snyder Cut). O herói vivido por Henry Cavill era carregado de conflitos internos, questionamentos filosóficos e um senso de responsabilidade quase trágico.

Snyder apostou em uma estética de glória, com câmera lenta, cores escuras e frias, e trilhas dramáticas. Seu Superman era uma espécie de deus dividido entre salvar o mundo e ser rejeitado por ele, surgindo então esse símbolo de conflito. Ele era poderoso demais para ser amado, introspectivo demais para sorrir, e trágico demais para ser inspirador.

Para alguns fãs, essa versão mais séria trouxe complexidade ao personagem. Mas, para outros, tirou dele a leveza e a humanidade que o tornavam acessível e um herói de verdade.

O Superman de James Gunn: luz, coração e conexão

David Corenswet como Superman | Imagem: Reprodução

A nova versão do Superman chega com a missão de recuperar o carisma, o senso de justiça e o otimismo do personagem. Nos trailers e entrevistas, James Gunn deixa claro que quer homenagear a essência do herói sem se apoiar no cinismo ou na grandiosidade excessiva.

“Superman é a história da América. Um imigrante que veio de outro lugar e passou a fazer parte deste país. Mas, para mim, é, acima de tudo, uma história sobre como a bondade humana básica é um valor importante, e algo que nós perdemos. O filme tem um tom diferente, mas é sobre isso: bondade humana. E, obviamente, haverá babacas por aí que não apenas não são gentis, como vão se ofender com essa mensagem só porque ela fala sobre bondade”, disse o diretor em entrevista ao The Times, publicada no último domingo.

David Corenswet assume o papel de Clark Kent com um visual que remete diretamente ao Superman clássico, e Rachel Brosnahan, como Lois Lane, traz frescor à dupla tão amada. A ambientação parece mais colorida, os diálogos mais rápidos e o tom geral mais esperançoso.

Gunn já declarou que se inspirou em histórias da “Era de Prata” dos quadrinhos e também no Superman de Christopher Reeve. O objetivo é construir um universo em que o herói principal seja alguém com quem o público possa se identificar e se inspirar, e não apenas admirar de longe.

Rick and Morty e a piada pronta: Snyder x Gunn até no multiverso

Zack Snyder e James Gunn em Rick e Morty | Imagem: Reprodução

A rivalidade amigável entre os dois estilos do Superman chegou tão longe que foi até ao universo de Rick and Morty, no episódio sete, chamado “Ricker Than Fiction” da oitava temporada, que foi ao ar no último domingo. A série animada fez uma sátira direta ao conflito de tons, com direito à participação especial dublada de Zack Snyder e James Gunn.

As versões animadas de Snyder e Gunn discutem entre si como se estivessem competindo por quem tem o “melhor multiverso”, usando argumentos que parecem saídos diretamente do Twitter ou Reddit. E já sabemos que quando até Rick and Morty transforma um debate em um tipo de piada, é sinal de que o assunto está bem vivo.

Mas as diferenças entre os dois diretores não estão apenas no tom de suas obras, mas na visão pessoal de cada um. Enquanto Snyder via o Superman como um ser acima da humanidade tentando se encaixar, Gunn parece enxergá-lo como alguém do povo tentando fazer o bem com o que tem. Uma mudança que acompanha essa tentativa atual do cinema de super-heróis: algo menos grandioso, e mais emocional.

Ainda vale a pena assistir filme de boneco?

David Corenswet como Superman | Imagem: Reprodução

A reformulação do Superman acontece em um momento de desgaste para o gênero de super-heróis. Com a Marvel em crise de criatividade, o público mostra sinais de cansaço e mais interesse em um herói clássico, com valores claros e uma postura gentil.

James Gunn apostou nesse equilíbrio entre humor, emoção e ação e podemos dizer que ele conseguiu acertar nesse tom, pois o novo Superman não apenas renovou o personagem, como também reanimou o interesse geral por essas histórias. 

Em tempos de heróis cínicos e narcisistas, talvez o que faltava mesmo fosse um herói que olha pro céu com esperança. E o novo filme de James Gunn entregou exatamente isso.

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