SAG-AFTRA critica criação digital e alerta para risco de substituição de profissionais humanos
A estreia da “atriz” gerada por inteligência artificial, Tilly Norwood, e as declarações de seu criador sobre o interesse dos estúdios em contratá-la provocaram reações negativas nesta semana no sindicato de atores, o SAG-AFTRA, que condenou a possibilidade de substituição de atores humanos por personagens gerados por computador.
Toda essa polêmica começou em um evento especializado em cinema que ocorreu na cidade de Zurique, na Suíça, quando alguns participantes tiveram uma reação mais exacerbada ao se tratar do assunto, mostrando o medo de algumas profissões do ramo de serem substituídas por inteligência artificial.
O “nascimento” oficial de Tilly Norwood aconteceu em uma pequena paródia em vídeo sobre como criar um programa de televisão totalmente gerado por IA. A personagem digital foi desenvolvida pelo estúdio Xicoia, liderado pela atriz e produtora Eline Van der Velden, integrante da britânica Particle6 Productions Ltd. A aparência da atriz é outro ponto muito observado, pois não há comparação com nenhuma outra no mercado, mostrando assim o poder de criação de “produtos” desse tipo.

No ano passado, outro grande debate aconteceu no setor artístico americano: a preocupação de escritores e roteiristas em serem suplantados ou até mesmo substituídos em seus afazeres por IAs. Essa foi uma das grandes dificuldades que o setor teve de enfrentar e ainda continua enfrentando nas negociações de contratos com estúdios e serviços de streaming.
O uso de inteligência artificial já ocorre na indústria, mas em uma escala menor, como nas técnicas de rejuvenescimento em atores, quando eles têm de ser retratados com mais ou menos idade, e na recriação de atores que já faleceram.
Essa demonstração de interesse por figuras criadas por IAs foi amplamente rechaçada e denunciada pelo sindicato, tanto que mais de 16 mil atores, locutores e dublês se manifestaram contra o uso.
“Para deixar claro, ‘Tilly Norwood’ não é uma atriz. É uma personagem gerada por um programa de computador que foi treinado com base no trabalho de inúmeros artistas profissionais, sem permissão ou remuneração”, afirmou o sindicato em seu comunicado.
O uso de inteligência artificial vem sendo cada vez mais defendido, mas estudiosos do cinema afirmam que a substituição de atores e atrizes reais por IAs ainda está bem distante.












