Com aumento de casos de transtornos mentais e afastamentos no trabalho, especialistas reforçam a necessidade de diálogo, redes de apoio e práticas como o esporte para fortalecer a saúde emocional.
A campanha Setembro Amarelo, movimento global de prevenção ao suicídio, volta a chamar atenção para um problema urgente: o suicídio é hoje a segunda principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29. Instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2003 e adotada no Brasil em 2015, a campanha conta com o apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria, do Conselho Federal de Medicina e do Centro de Valorização da Vida (CVV).
No Brasil, cerca de 14 mil pessoas tiram a própria vida anualmente — um problema silencioso que atravessa todas as idades, classes sociais e realidades. No mercado de trabalho, os números também são preocupantes: segundo a Secretária de Previdência do Ministério da Fazenda, aproximadamente 220 mil afastamentos foram concedidos pelo INSS em 2023 por transtornos mentais e comportamentais, colocando essas doenças entre as principais causas de licenças no país. No cenário global, a OMS estima que depressão e ansiedade gerem perdas de US$1 trilhão por ano em produtividade.
Diante desse quadro, especialistas reforçam a importância de ampliar o debate, o suporte, o debate e a divulgação de ferramentas de autocuidado. Para a montanhista e empreendedora socioambiental Aretha Duarte, a primeira mulher negra latino-americana a chegar ao topo do Everest, o esporte é uma das chaves para fortalecer a mente.

“Na montanha, o maior desafio, não é a falta de oxigênio, mas o diálogo interno. A prática esportiva nos coloca frente a frente com nossas vulnerabilidades, mas também com nossas vulnerabilidades, mas também com a nossa força. Esse processo de autoconhecimento é essencial para fortalecer a saúde mental”, afirmou Aretha.
Natural da periferia de Campinas (SP), Aretha utiliza sua trajetória para inspirar outras pessoas a buscar pertencimento e equilíbrio emocional. Para ela, o esporte representa mais do que conquistas físicas: é uma metáfora de coragem e superação. “Subi montanhas dentro e fora de mim. Quando me permiti ser vulnerável, entendi que a verdadeira força pelo autoconhecimento. O esporte me conectou com quem eu sou e me ensinou a respeitar meus limites, sem perder a coragem de seguir em frente.”
Aretha também destaca a importância da coletividade no enfrentamento de questões emocionais “Em uma expedição ninguém chega ao topo sozinho. A vida é assim. Precisamos uns dos outros, precisamos falar sobre nossas dores e criar redes de apoio. O silêncio não pode ser uma opção”, reforça a montanhista, que compartilha sua história em palestras pelo Brasil.
Durante o Setembro Amarelo, ela incentiva a busca por práticas que fortaleçam o autoconhecimento, os vínculos sociais e o cuidado emocional — inclusive por meio de psicoterapia. “A saúde mental merece o mesmo cuidado que damos ao corpo. Cada pequena atitude de autocuidado conta. O esporte me mostrou que pedir ajuda é sinal de coragem, não de fraqueza.
Aretha alerta ainda para a importância de profissionais que olhem o ser humano de forma integral, sem focar na performance. “A linha entre saúde mental e física pode ser tênue. Técnicos e treinadores precisam ter cautela para não gerar mais ansiedade ou estresse em nome do desempenho”, conclui












