Campanha reforça importância do cuidado com a saúde mental de mães em período de vulnerabilidade.
Contéudo
Durante o Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio, especialistas em saúde mental chamam atenção para um tema ainda pouco debatido: a culpa materna. Sentimento comum entre mulheres no período da gestação e do pós-parto, quando não tratado, ele pode evoluir para transtornos mais graves, como depressão pós-parto e burnout materno.
Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, a culpa surge da soma de pressões sociais e expectativas pessoais que muitas mães não conseguem atender. “É quase como se a culpa fosse uma sombra que acompanha a maternidade. Quando não é abordada, pode abrir caminho para quadros de depressão”, afirma.

pressões sociais podem causar isolamento foto: Divulgação
Falta de suporte e sinais de alerta
Estudos citados por entidades médicas apontam que falta de rede de apoio, idealização da maternidade e sobrecarga emocional estão entre os principais fatores de risco para o adoecimento psíquico de mulheres no período do puerpério.
A depressão pós-parto pode surgir até um ano após o nascimento do bebê. Entre os sintomas de alerta estão tristeza persistente, falta de energia, dificuldade de conexão com o filho e pensamentos negativos. “Nesses casos, o acompanhamento psicológico é essencial para o bem-estar da mãe e do bebê”, ressalta Schiavo.
Psicologia perinatal e prevenção
A chamada psicologia perinatal oferece suporte especializado para gestantes e puérperas, com atendimentos individuais, em grupo ou familiares. O objetivo é ajudar mães a lidar com os desafios emocionais e reduzir o risco de transtornos mentais mais graves.
Além da terapia, especialistas recomendam práticas de autocuidado, participação em grupos de apoio e diálogo aberto com profissionais de saúde. A recente Lei 14.721, sancionada em 2023, garante o acesso gratuito a acompanhamento psicológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Risco ampliado: quando a culpa materna evolui para depressão pós-parto
Um dos pontos de maior alerta é que a culpa materna e a depressão pós-parto não afetam apenas a saúde da mãe, mas também a relação com o bebê e a dinâmica familiar. Crianças de mães em sofrimento psíquico podem apresentar dificuldades emocionais, sociais e de desenvolvimento.
Estudos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que uma em cada oito mulheres no mundo sofre de depressão pós-parto, número que pode ser ainda maior em países com altos índices de desigualdade social e pouco acesso à saúde mental.
O chamado burnout materno, caracterizado por exaustão extrema, perda de prazer na maternidade e sensação constante de incapacidade, também está em crescimento. Especialistas alertam que, quando negligenciado, pode evoluir para quadros severos de depressão e isolamento.
Além disso, fatores como instabilidade financeira, falta de creches, violência obstétrica e ausência de políticas públicas efetivas agravam o cenário. Para muitas mulheres, a maternidade se torna uma experiência solitária, o que reforça a necessidade de iniciativas de conscientização durante o Setembro Amarelo.
Pressão social e expectativas irreais
Pesquisadores apontam que a pressão cultural sobre as mães — seja para se dedicarem exclusivamente aos filhos ou para conciliar maternidade e carreira — é um dos fatores que alimenta a culpa. “Reconhecer e questionar essas expectativas sociais é um passo importante para reduzir o sofrimento materno”, observa Schiavo.
Orientações práticas
Entre as medidas que podem ajudar mães a lidar com a culpa materna, especialistas destacam:
- Ser gentil consigo mesma: entender que não existe maternidade perfeita.
- Reservar tempo para o autocuidado físico e mental.
- Conversar com obstetras e psicólogos perinatais sempre que necessário.
- Participar de grupos de apoio e compartilhar experiências com outras mães.
- Buscar acompanhamento profissional se a culpa ou tristeza persistirem.
Saiba Mais: Site do Setembro Amarelo e Site da Mater Online












