Especialistas alertam: buscar ajuda psicológica não deve ser tabu nem ficar restrito a momentos de crise
Com o início do mês do Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio, especialistas voltam a chamar atenção para uma realidade preocupante: no Brasil, a busca por apoio psicológico ainda é, majoritariamente, motivada pelo esgotamento emocional, quando o sofrimento já se torna insuportável.
Embora a saúde mental tenha ganhado visibilidade nos últimos anos, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o Brasil lidera o ranking de país com maior taxa de transtornos de ansiedade do mundo (9,3% da população). Nas Américas, ocupa o segundo lugar em casos de depressão, afetando 5,8% dos brasileiros. Ainda assim, de acordo com os índices, apenas de 2 a 3 em cada 10 pessoas com sintomas graves buscam atendimento especializado.
Para especialistas, está na hora de o Brasil encarar a saúde mental como prioridade contínua, e não apenas como medida de emergência. A psicóloga da Blue Clin, Amanda Batista, reforça a importância de romper o silêncio e buscar ajuda.
“Percebo todos os dias, nos atendimentos clínicos, como a dor pode se tornar invisível quando não é compartilhada. Setembro Amarelo é mais do que uma campanha, é um chamado para que possamos oferecer um olhar atento, uma escuta sincera e o acolhimento que pode transformar destinos”, afirma.

Dois fatores determinantes levam os brasileiros a se afastarem da terapia e a terem dificuldade em buscar ajuda profissional: a falta de informação e o preconceito, que reforçam a ideia equivocada de que o psicólogo só deve ser procurado em situações extremas. Para o psicólogo humanista Tomas Machado, essa visão precisa mudar urgentemente:
“Essa época do ano é importante para lembrarmos do cuidado com a saúde mental. Apesar de o foco ser a prevenção ao suicídio, é essencial ter em mente que a busca por terapia e apoio psicológico não precisa, e não deve, ser feita apenas quando o indivíduo encontra-se em grande sofrimento psíquico. Muitas pessoas acreditam que apenas quando sua dor se torna intolerável é que um psicólogo deve ser consultado, quando, na realidade, todo o processo terapêutico seria muito mais simples se nossa sociedade começasse a perceber a terapia como um tratamento profilático, tal qual uma ida ao dentista”, explica Thomas.

A resistência em buscar ajuda ainda é alimentada por estigmas e pela falta de informação. Segundo os especialistas, tratar a saúde mental como prevenção, e não apenas como solução para crises, pode salvar vidas. Reconhecer sinais de sofrimento, fortalecer redes de apoio e criar espaços de escuta são atitudes fundamentais para que ninguém precise caminhar sozinho.
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