Presidente da Câmara dos Deputados e demais membros da mesa diretora após negociações de retomada. Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados.
Crise na Câmara expõe fragilidade institucional e testa a capacidade de articulação de Hugo Motta diante da radicalização bolsonarista
A semana que se inicia promete ser uma das mais desafiadoras da trajetória política de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados. Após a ocupação da Mesa Diretora por parlamentares bolsonaristas, Motta se vê diante de decisões cruciais que podem redefinir sua liderança e o equilíbrio de forças na Casa.
Na última terça-feira (5), deputados da oposição ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro impediram o início das sessões legislativas ao ocupar fisicamente a Mesa Diretora do plenário. O ato foi uma reação à prisão domiciliar de Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Deputados da oposição ocupando a mesa diretora. Foto: José Cruz/ Agência Brasil
A ocupação durou mais de 30 horas e só foi encerrada após intensa negociação, que envolveu até a Polícia Legislativa. Hugo Motta, ao tentar reassumir sua cadeira, enfrentou resistência e precisou de apoio de aliados para retomar o controle da Casa.
Diante do impasse, Motta encaminhou representações contra 14 parlamentares à Corregedoria Parlamentar, entre eles Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão (PL-SC), Júlia Zanatta (PL-SC), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Camila Jara (PT-MS). A expectativa é que o Conselho de Ética analise os casos nos próximos dias, podendo aplicar suspensões de até seis meses.
A medida é vista como um teste de autoridade para Motta, que precisa demonstrar firmeza diante da crise. Deputados da base governista e do centro avaliam que o presidente ficou fragilizado e que sua capacidade de liderança está em xeque.
Além das punições, Motta terá de articular a votação de projetos importantes, como o que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil — promessa de campanha do presidente Lula. A reunião com líderes partidários marcada para terça-feira (12) será decisiva para definir a pauta e testar a governabilidade da Casa.
A base governista vê na crise uma oportunidade de avançar com suas propostas, enquanto a oposição tenta emplacar o projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
A semana será um divisor de águas para Hugo Motta. Entre a pressão por punições exemplares e a necessidade de retomar o ritmo legislativo, o presidente da Câmara terá de equilibrar estratégia, autoridade e articulação política. O desfecho poderá consolidar — ou comprometer — sua liderança na Casa.












