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São Paulo celebra 472 anos com tradição comunitária e o Bolo do Bixiga

Evento no bairro histórico reuniu moradores, entidades religiosas e organizações sociais em uma das mais antigas homenagens populares ao aniversário da capital

A cidade de São Paulo completou 472 anos neste domingo (25) com uma programação marcada por eventos culturais e pela preservação de tradições populares. Entre os destaques esteve a Festa do Bolo do Bixiga, que há mais de quatro décadas integra as comemorações do aniversário da capital paulista e reuniu moradores, templos religiosos, organizações não governamentais e representantes do Museu do Bixiga.

Segundo um dos organizadores, o conjunto de mesas formadas pelos bolos chegou a quase 150 metros de extensão, ocupando um trecho da Rua Rui Barbosa, no tradicional bairro do Bixiga, na região central. Os bolos foram levados por moradores, entidades comunitárias e instituições religiosas, em uma ação coletiva que simboliza a identidade e a história do bairro.

O evento, que ocorre anualmente, começou pela manhã com bênção ecumênica e seguiu com a distribuição gratuita dos bolos ao público. A festa integrou a agenda oficial do aniversário da cidade, que contou com mais de 200 atrações culturais espalhadas por diferentes regiões da capital.

Uma tradição que atravessa gerações

A festa também evidencia o caráter comunitário do Bixiga, marcado pela convivência entre diferentes culturas, religiões e gerações. Maria Eunice Oliveira Santos, conhecida como Nice, uma das coordenadoras da Pastoral Afro da Paróquia Nossa Senhora Achiropita, resume a relação afetiva com o bairro.

“Para mim, o Bixiga é o Brasil, é São Paulo, porque eu amo o Bixiga. Eu cheguei aqui no finalzinho dos 40 para os 50, tinha três anos de idade, estou nesse bairro há 57 anos”, afirma.

Maria Eunice Oliveira Santos, coordenadora da Pastoral Afro da Paróquia de NSa. Achiropita – (Foto: Fábia Medeiros)

Segundo ela, o vínculo com o local se constrói pela convivência cotidiana. “Quem vem no Bixiga só para conhecer nunca mais quer sair. Porque o Bixiga tem história, o Bixiga tem muita, muita, muita amizade. O Bixiga é uma comunidade viva”, diz.

Para Paulo Santiago, cofundador do Museu do Bixiga, o bolo tem ligação direta com a história da instituição e do bairro. “O bolo do Bixiga tem um cordão umbilical que liga ele ao Museu do Bixiga”, afirma.

De acordo com Santiago, a tradição foi criada por Armandinho Pugliese, fundador do museu e uma das figuras mais emblemáticas da história local. “Quem criou o bolo foi o Armandinho Pugliese, uma figura histórica, emblemática, um líder comunitário aqui do bairro. O bolo existe há mais 40 anos”, diz.

Armandinho morreu em 1994, mas a tradição foi mantida por outras lideranças comunitárias. “Depois da morte do Armandinho, o Walter Taverna, que também era uma grande liderança do bairro, conseguiu fazer com que o bolo continuasse”, afirma Santiago.

Walter Taverna morreu há dois anos. Desde então, a continuidade do evento passou a ser garantida por sua família. “Hoje, a filha dele, Solange, e a neta, Thaís Taverna, conseguem fazer com que o bolo continue sendo um dos marcos das festas da cidade de São Paulo”, diz o cofundador do museu.

Aos 472 anos, São Paulo reafirmou, por meio do Bolo do Bixiga, uma de suas marcas mais características: a força das tradições populares sustentadas pela participação direta de seus moradores.

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