Como começou
Tudo começou em 2024, quando pela primeira vez Samille Ornelas foi questionada sobre sua autodeclaração étnico-racial após o envio da documentação de cota racial no curso de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF). Sua inscrição foi efetuada pelo sistema de cotas como mulher parda, mas a banca de heteroidenficação a considerou inapta para permanência na instituição devido a características fenotípicas interpretadas como não condizentes ao grupo de pessoas pardas.
No mesmo período, um processo contra a decisão da banca foi iniciado por Samille, mas a justiça demorou um ano para movimentar o caso e, em Janeiro de 2025, deu o prazo de 30 dias úteis para a UFF revalidar a matrícula. Quando pensou que tudo estava prestes a ser resolvido, houve um novo evento: a aluna foi barrada no refeitório da faculdade, pois sua matrícula encontrava-se inativa.
Polêmica
No dia 30/07/2025, Samille Ornelas publicou um vídeo em seu TikTok (@1moldesami) denunciando que o resultado preliminar da verificação de heteroidenficação prestada à instituição foi anteriormente avaliado como inapto. No mesmo registro, ela compartilha que até seu crânio foi medido como meio de identificação.
A justificativa fornecida em documento compartilhado na íntegra diz:
“O (a) candidato(a) foi considerado(a) INAPTO(a) no procedimento de heteroidentificação no qual não foram identificadas características fenotípicas da condição autodeclarada, por meio da verificação do vídeo enviado”.

A universitária relata que ficou em estado de choque, sem acreditar na informação que havia recebido. Em entrevista para o Jornal do Rio, informou que tinha certeza que ingressaria na universidade pública, pois atende aos requisitos de cotas para escola pública no ensino médio, renda e raça (parda).
“Pra mim, era a maior certeza do mundo que eu estaria aqui na UFF, porque escola pública estudei a vida inteira, renda era óbvio – eu sabia da minha realidade, tenho CAD único e tudo mais – e a minha cor era a coisa mais óbvia”.
Além do sentimento de injustiça, a jovem compartilha que tem tido crises de ansiedade e sempre recorre à psicóloga após entrevistas e momentos que trazem a situação à tona, resgatando memórias do tempo que trabalhava 12×36 e estudava nos intervalos entre uma tarefa e outra, em transportes públicos, chegando a prestar o vestibular Enem 12x.
Posicionamento jurídico
Em nova decisão, o juiz mostrou-se a favor da universidade e afirmou que os documentos apresentados pela aluna não fazem prova de sua condição de pessoa parda.
O caso está sob apreciação judicial e, em nota oficial lançada pela Superintendência de Comunicação Social da UFF no dia 05/08/2025, a instituição deu seu parecer sobre a situação informando que:
“A universidade reafirma sua defesa incondicional das políticas afirmativas e de reserva de vagas no ensino superior como instrumentos de justiça social e combate às desigualdades históricas”.
A instituição deu apenas um dia para realização do recurso contra a decisão da banca e o mesmo foi negado. Sendo assim, a jovem segue sem uma nova oportunidade, impedida de ocupar espaço acadêmico, com apenas um anseio:
“Eu só queria que a universidade abrisse pra banca me rever pessoalmente”.
Referências
Convido-lhe a consultar as referências para as informações apresentadas nesta matéria:
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Nota oficial sobre reserva de vaga para curso de medicina. Rio de Janeiro, 5 ago. 2025. Disponível em: https://www.uff.br/05-08-2025/nota-oficial-sobre-reserva-de-vaga-para-curso-de-medicina/. Acesso em: 7 ago. 2025.
TV BAND RIO. “Essa é a minha neta, ela também é médica”: A luta da Samille para buscar seu sonho e honrar sua avó. [S. l.]: TV Band Rio, 1 ago. 2025. 1 vídeo (3 min 1 s). Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=sOPNZIM9f3g. Acesso em: 7 ago. 2025.
Samille Ornelas fala sobre seu caso em vídeo do TikTok. [S. l.]: g1, 31 ago. 2025. 1 vídeo. Disponível em:https://vm.tiktok.com/ZMHshfW9ef3Tm-iIkPR/. Acesso em: 7 ago. 2025.
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