Dirigentes do tradicional clube paulista vem sendo pressionado com manifestações da torcida organizada a meses
Nesta sexta-feira (24), o clube tradicional do bairro da zona leste da capital paulista, Juventus da Mooca, anunciou o acordo para a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Serão R$480 milhões para que o clube retorne à elite do futebol brasileiro. A torcida organizada, a Torcida Ju Jovem, vem se mostrando contrária a proposta a meses, com manifestações e panfletos nas portas dos jogos do clube.
Crise interna na Juventus
Desde 2018, o clube vem passando por sucetivas crises econômicas e políticas internamente e com sua torcida. A então gestão do clube foi acusada de desvios milionários que estavam levando o time à falência.
Essas crises levaram o clube a aceitar o acordo de SAF de 90% do clube com quase 85% da direção executiva a favor. Em julho de 2024, torcedores na porta do estádio da tradicional Rua Javari entregavam folhetos com os escritos “querem botar o clube a leilão” e “História não se compra e nem se vende”.
Com quase meio bilhão de reais em investimentos, o clube almeja retornar para a série A do paulistão até 2027 e retornar para a elite do futebol brasileiro até 2035, além de reformas estruturais no Rodolfo Crespi. A iniciativa ousada do clube promete resultados que podem alegrar a torcida, mas geram impactos na tradição do clube que são sentidos pelos apoiadores mais fiéis.
“História não se compra”

[Acervo pessoal/João Chahad]
O Juventus da Mooca, apelidado de “Moleque Travesso”, é um clube centenário fundado por membros da colônia italiana do bairro da Mooca, na Zona Leste de São Paulo. A ideia do clube era juntar os trabalhadores da jovem indústria local e fundar uma união pelo futebol, esporte que já era tradicional na Itália.
O clube grená sempre viveu por altos em baixos. Na década de 40, com a proposta de união junto com a Ponte Preta, o clube quase deixou de existir. Nas décadas seguintes, o Juventus conseguiu se reerguer, fazendo confrontos com times da Europa e da América do Sul, e atingindo a elite do campeonato brasileiro.
Porém, a década de 90 afundou o time em boa parte de suas competições. O clube caiu para a série A2 do campeonato Paulista e desceu até a série C do brasileirão. Desde então, o juventus saiu do cenário nacional e buscou relevância para os confrontos regionais, mas com atuações de baixo desempenho.
O Juventus da Mooca entrou para a história do bairro e do Brasil. A estátua de Pelé na entrada do estádio Conde Rodolfo Crespi rememora o que o próprio afirmava como o gol mais bonito de sua carreira. Depois de três chapéus seguidos, o Rei marcava um voleio que carimbou as redes do Moleque Travesso.
Hoje em dia, os jogos do time grená entram no calendário dos moradores da região. Um passeio ótimo para famílias que buscam introduzir o futebol para as crianças, com um espaço acolhedor e cheio de histórias. No ano que vem, o clube buscará se reerguer na Série A2 do Paulistão, que conta com clubes como Ferroviária, Ituano e Santo André, além de concorrer a uma vaga para a série D do Brasileirão.












